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Neuza Silva (20 anos) concretizou, ontem, um dos momentos mais espectaculares do ténis nacional feminino, ao ser a primeira lusa a ultrapassar, com muito sofrimento, uma primeira ronda em toda a história do quadro de singulares do Estoril Open, a decorrer no Jamor.
A atleta do Clube do Estoril (685ª do "ranking" WTA) cometeu a proeza de bater a alemã Julia Schruff (108ª), numa partida emocionante, salvando dois "match points" no "tie-break", para vencer pelos parciais de 3-6, 7-6 (7-5), 7-6 (10-8).
"O que sinto é indiscritível. É o triunfo mais importante da minha carreira, que vou recordar para sempre. Dei o melhor e o público foi espectacular, acreditando em mim até ao fim", considerou Neuza Silva, depois de bater a finalista vencida da edição transacta do Estoril Open.
Tecnicamente, o encontro não foi de qualidade, já que se cometeram muitos erros não forçados. O serviço acabou por ser o "calcanhar de Aquiles" da germânica, que se viu eliminada após uma dupla falta, ao cabo de 2.40 horas de jogo.
"Entrei mal no primeiro 'set', mas depois comecei a acreditar em mim e consegui recuperar a desvantagem. A condição física também acabou por decidir. Tenho um grande orgulho nesta vitória, que quero dedicar ao meu treinador José Nunes, amigos e família. A próxima meta é ultrapassar a segunda ronda, mas não conheço a adversária", adiantou Neuza, que encontrará a checa Denisa Chladkova, também desconhecedora das potencialidades da lusitana, embora assistisse ao jogo.
A rematar, Neuza Silva não poupou críticas aos responsáveis pelo ténis: "Nunca tive apoio do Estado, apesar de bater a muitas portas como se estivesse a pedir esmolas. Quero que passem a olhar de frente e que reconheçam pelo mérito."
Falta investimento
O treinador José Nunes também estava feliz com o desempenho da pupila: "Uma vitória importante, para dar continuidade ao trabalho. É importante que se invista, pois ela precisa de maior rodagem internacional."
Quanto a Julia Schruff, manifestou-se resignada: "Foi um jogo muito difícil e senti-me cansada. Tinham-me dito que a Neuza cometia muitos erros, mas não foi assim, apesar de ter dado o meu melhor."
"Paitrocinador" Francisco Silva diz que a filha perdeu a infância
Francisco Silva, pai de Neuza e o seu principal apoio, também teve uma grande alegria pelo triunfo da filha, apesar de se encontrar nos Açores: "Apoiei sempre a Neuza, que começou a jogar aos seis anos. O resultado é uma recompensa para quem perdeu a infância, pois, devido à dedicação ao ténis, sacrificou outras prioridades, como estar com os amigos. Desejo que venha a ser uma profissional a cem por cento. A principal prioridade é que consiga pontuar forte e subir no 'ranking' internacional, de maneira a evitar os 'qualifyings' do circuito WTA", considerou o antigo futebolista do Vitória de Setúbal e actual treinador dos juvenis do clube, que defrontam hoje o S. Roque.
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