Júlia Kavalenka mostra as garras: «A Silver League mudou a nossa mentalidade»

Oposta da Seleção aponta à Liga Europeia e ao EuroVolley

Júlia Kavalenka
Júlia Kavalenka • Foto: FP Voleibol

Júlia Kavalenka é hoje um dos rostos da afirmação do voleibol português além-fronteiras. Aos 27 anos, a oposta vive uma temporada de afirmação no Brescia, após trocar o Casalmaggiore pela formação que subiu esta semana à Serie A1 italiana. Com exibições de mão cheia, onde as escolhas como MVP, ou 30 pontos por jogo, começam a tornar-se hábito, Júlia chega à Seleção no que considera ser um momento de “maturidade e consistência”.

“A adaptação ao Brescia foi muito positiva. É um clube com uma ambição clara de subida e isso sente-se na intensidade diária. Sinto-me preparada para responder às exigências e a experiência acumulada permite-me ler melhor o jogo”, revela a internacional portuguesa, que herdou dos pais atletas a disciplina necessária para singrar no Pallavolo.

Novo fôlego da Liga Europeia

Após a conquista da Silver League em 2024, Portugal enfrenta agora uma Liga Europeia reformulada e muito mais exigente, que serve de porta de acesso ao EuroVolley 2028. A caminhada começa em casa, em Vila do Conde, entre 5 e 7 de junho, num grupo que inclui a Macedónia e a Hungria.

“A Silver League mudou a nossa mentalidade. Passámos a entrar em campo com a convicção de que podemos discutir qualquer jogo”, afirma Júlia, que sublinha a importância do fator casa: “Jogar em Vila do Conde dá-nos uma energia extra. Queremos começar forte e o apoio do público será decisivo.” O percurso seguirá depois para torneios na Grécia e na Roménia, visando a presença na “Final 6” em julho.

EuroVolley sem complexos

Mas o grande prato forte de 2026 é o Campeonato da Europa (21 de agosto a 6 de setembro). Inserida na Pool C, em Baku, a Seleção Nacional terá pela frente colossos como os Países Baixos (6º do ranking mundial) e a Bélgica, além da Espanha, Roménia e o anfitrião Azerbaijão. Para Júlia, o objetivo de chegar aos oitavos-de-final é real.

“Sabemos que são equipas muito fortes, mas o voleibol ganha-se nos detalhes. A nossa arma é a união e o facto de sermos um grupo que nunca desiste”, explica. O selecionador Hugo Silva já traçou o mote: é tempo de “expor as verdadeiras campeãs”. Júlia subscreve e assume o papel de guia para as mais novas: “Transmitimos essa resiliência pelo exemplo, na exigência que colocamos em nós próprias.”

‘Boom’ do voleibol feminino

A qualificação simultânea das seleções de seniores e sub-22 para as fases finais europeias é o reflexo de um crescimento sustentado do voleibol português. “Há uma evolução clara. Ver várias seleções apuradas e atletas a competir em ligas de topo eleva o nível nacional. O caminho é ascendente e motivador”, analisa a oposta, para quem levar Portugal ao seu melhor registo de sempre num Europeu seria o “fechar de um ciclo emocional”: “Seria um orgulho enorme! E seria a prova de que todo o investimento valeu a pena e serviria para inspirar as gerações mais jovens.”

Se tivesse de dar um conselho à Júlia de 17 anos que se estreou na Seleção, a estrela do Brescia é pragmática: “Diria para não ter medo de errar e para nunca perder o prazer de jogar. É isso que faz a diferença nos momentos de maior pressão. Também lhe diria para ser paciente, porque a evolução leva tempo. O caminho não é linear, mas com trabalho, consistência e paixão pelo jogo, as oportunidades acabam por aparecer.”

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