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Ricardo Pedrosa, Gonçalo Gomes e Rafael Santos abrem os livros sobre as carreiras
A Volei TV tem sido palco de conversas fundamentais para conhecer melhor os jogadores que atuam no voleibol português. Em entrevistas individuais conduzidas no canal federativo, Ricardo Pedrosa, Gonçalo Gomes e Rafael Santos abriram o livro sobre as suas carreiras, revelando que, embora trilhem caminhos diferentes entre os sub-22 e os seniores, partilham uma paixão comum que começa, quase sempre, muito antes de pisarem o primeiro pavilhão.
Para Ricardo Pedrosa e Gonçalo Gomes, o voleibol foi uma herança inevitável. Ricardo, o jovem de 18 anos do SC Espinho, cresceu a absorver os ensinamentos do pai e a seguir as pisadas do irmão, transformando as idas à praia e ao pavilhão num “amor à primeira vista” que o levou das bancadas para dentro do campo. Gonçalo Gomes, hoje líbero do V. Guimarães, também seguiu o rasto paternal aos três anos na AA São Mamede, tendo mesmo de abdicar do polo aquático quando as convocatórias para a seleção nacional começaram a exigir exclusividade.
Já Rafael Santos, zona 4 do Leixões, surge como o “pioneiro” da sua família. No seu caso, o voleibol apareceu por imposição escolar, mas o que começou como uma atividade extracurricular obrigatória rapidamente se tornou numa carreira profissional, alimentada pelas amizades profundas que o desporto coletivo, e sobretudo o voleibol, permite criar.
As diferenças entre os três acentuam-se quando olhamos para as suas especializações e momentos de carreira. Ricardo Pedrosa vive a efervescência da transição: de antigo distribuidor passou a zona 4, e agora prepara-se para a fase final do Europeu de Sub-22, que se realizará este ano em Portugal, mais concretamente em Albufeira, de 29 de junho a 4 de julho. O seu foco é o futuro e o sonho de se tornar profissional, sem nunca esquecer a versatilidade que o voleibol de praia lhe deu. Gonçalo Gomes, por outro lado, já respira a exigência do profissionalismo no Vitória SC, onde as rotinas de treino são em inglês e a ambição passa por chegar à seleção absoluta e, quem sabe, experimentar as ligas de topo em Itália ou na Polónia. Gonçalo carrega consigo a maturidade de quem já viveu “aldeias olímpicas” na China em contextos universitários e que hoje concilia o campo com um mestrado em Desporto, visando um futuro como diretor desportivo.
Rafael Santos traz para este trio a perspetiva da resiliência. O atacante do Leixões passou pelo calvário de uma lesão grave que o afastou das quadras durante quase um ano. Para Rafael, o regresso ao topo no clube de Matosinhos foi uma vitória sobre a dor rae a incerteza, ensinando-o a ser mais estratégico e a valorizar o profissionalismo da estrutura leixonense. Ao contrário de Ricardo e Gonçalo, que ainda mantêm uma ligação umbilical à areia de Espinho, Rafael é um purista do pavilhão, destacando que a sua escolha pelo voleibol se deve muito ao respeito e à camaradagem que imperam na modalidade, algo que não encontrou noutros desportos, como o futebol.
Apesar das trajetórias distintas, o Una em Campo revelou pontos de contacto curiosos na vida destes atletas fora das quatro linhas. Todos lutam com a gestão do tempo: Ricardo tenta não se perder no curso de Gestão, focando-se no que ouve nas aulas para compensar as horas de treino; Gonçalo devora podcasts e investe na formação académica; e Rafael valoriza os momentos de lazer com os amigos que o voleibol lhe deu para a vida. Em campo, as definições coincidem na exigência: Ricardo define-se como exigente com o grupo, Gonçalo como um jogador de raça e por vezes conflituoso pelo desejo de vencer, e Rafael como alguém que aprendeu a adaptar-se às limitações para dar o melhor à equipa. Em comum, fica a certeza de que, seja em Espinho, Guimarães ou Matosinhos, o voleibol nacional está entregue a mãos que sabem bem o peso da camisola que vestem.
E isso está bem implícito nas palavras de Rafael Santos, para quem a presença no Mundial de seniores foi a concretização de um sonho “histórico” que justificou todos os “longos meses de preparação durinha”. O jovem sublinhou que o esforço extremo foi recompensado com a vitória sobre uma das potências mundiais da modalidade [Cuba], permitindo à seleção nacional deixar uma marca positiva e uma imagem de grande ambição. Representar o país no maior palco do voleibol foi, para o jogador, “a melhor coisa do mundo”, sobretudo pela oportunidade de enfrentar os ídolos que antes só via pela televisão.
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