Depois de ter falado para os mais velhos, achei por bem elucidar os pais sobre os cuidados a ter com as suas crianças e adolescentes sobre a alimentação que devem disponibilizar aos seus filhos se estes forem atletas ou pratiquem algum exercício físico com regularidade.
O desporto e a alimentação desde sempre têm vido a fazer o seu percurso juntos, estando lado a lado para conseguirmos ter um organismo saudável, boas noites de sono, apetite controlado e ossos e músculo fortes.
No caso das crianças, que normalmente são muito ativas e costumam praticar vários tipos de atividade física ao longo da semana, o cuidado com o que se coloca no prato deve ser redobrado! Por um lado, porque vai fornecer a energia e nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento da criança, e por outro porque vai equilibrar o desgaste que o treino regular impõe.
Muitos pais com que falo em consulta não tinham esta sensibilidade mas, com o tempo e alguma informação extra, começaram a perceber que o cansaço que os filhos demonstravam e a falta de vontade de frequentar os treinos estava, muitas vezes, relacionada com a alimentação.
Se algum dia houvesse alguma dúvida, SIM, oferecer refeições equilibradas e saudáveis é o primeiro, e essencial, passo para manter a saúde dos atletas mais jovens em dia. Isto acontece porque, tal como nos adultos, a prática de exercício físico propicia uma exigência nutricional diferente e que deve ser respeitada.
O cuidado alimentar é muito importante para manter a saúde dos atletas mais novos, mas também para potenciar e melhorar o seu desempenho atlético. Enquanto que esse cuidado nos adultos significa manter o aporte nutricional para garantir os nutrientes necessários para se manterem nutridos, no caso das crianças temos que garantir que há fornecimento de nutrientes que permita o crescimento e o desenvolvimento.
Para repor tudo o que é necessário durante a prática de exercício físico, as crianças necessitam de doses extra de energia que chegam por meio de uma alimentação correta e adequada.
A partir dos 2 anos de idade, as crianças devem ter uma alimentação que equilibre de forma perfeita e rigorosa os macronutrientes como as proteínas, hidratos de carbono e gordura, tal como a ingestão adequada de micronutrientes como vitaminas e sais minerais.
Só casos muito específicos necessitam de suplementação extra, como por exemplo, um comprometimento na saúde ou crescimento ou algum desequilíbrio nutricional que só um profissional de saúde consegue identificar. Se se confirmar algum destes problemas, então a criança poderá tomar algum tipo de suplementação como probióticos, ou ácidos gordos polinsaturados, mas SÓ POR INDICAÇÃO DO MÉDICO OU NUTRICIONISTA.
No que diz respeito às necessidades dos pequenos atletas, os hidratos de carbono são repostos pela ingestão de pão, cereais integrais, arroz, massas, frutas, batata. As proteínas, por sua vez, estão nas carnes, no leite e derivados, entre outros e são fundamentais para o crescimento e para a recuperação muscular. Por este motivo devem ser consumidas de acordo com o tipo de necessidade criada pelo exercício que a criança pratica.
A quantidade de proteína ingerida por crianças atletas deve ser adequada, sendo mais que a utilização normal para a idade, tal como o a quantidade de calorias diárias. Tudo isto deve ser calculado por um nutricionista de forma a garantir o bom desempenho na modalidade praticada, mas permitir o crescimento de forma adequada, prevenindo potenciais problemas de saúde que os excessos proteicos e calóricos podem trazer caso não sejam bem calculados.
As gorduras devem ser consumidas moderadamente.
As frutas são ricas em vitaminas e devem ser consumidas, pelo menos, duas vezes por dia.
Outro fator importantíssimo é a hidratação que nunca pode ser esquecida. As crianças produzem mais calor por unidade de peso corporal, quando comparadas com os adultos, durante a atividade física. Com uma hidratação incorreta por haver desidratação e comprometimento da performance do atleta
O uso de bebidas desportivas que contenham hidratos de carbono pode ser eficaz em exercícios de longa duração, isto é, acima de 90 minutos. Até aí, muita água.
Por Inês Morais