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Ortorexia nervosa, a dúvida que surgiu…

A coluna da semana passada deu muito que falar e, por isso, surgiram muitas dúvidas relacionadas a outra questão muito atual nos dias de hoje, a ortorexia nervosa. É sobre isso que vou falar esta semana para esclarecer todas as dúvidas.

Depois de termos percebido no que consiste a vigorexia, a obsessão pela imagem e pelo corpo e quais os sintomas e consequências que podem resultar deste distúrbio, vamos perceber o que é a Ortorexia nervosa, que é o termo descrito para o comportamento obsessivo patológico caracterizado pela fixação por saúde alimentar.

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As pessoas que apresentam este quadro têm uma preocupação excessiva com a qualidade dos alimentos que ingerem, o que vai limitar drasticamente a variedade de sua alimentação. É típico excluírem determinados grupos de alimentos como carnes, produtos lácteos, gorduras e hidratos de carbono sem fazer as substituições adequadas. As consequências deste tipo de limitação são quadros de carências nutricionais ou mesmo levar a um quadro completo de distúrbio de comportamento alimentar.

Os ortoréxicos têm comportamentos característicos e um padrão de comportamento muito peculiar. Numa primeira fase iniciam a procura obsessiva por regras de alimentação saudável, não interessam as fontes, podem até ser obtidas por meios de comunicação que fornecem informações distorcidas e exageradas para chegar ao objetivo. Isto faz com que comecem a retirar outra série de substâncias que consideram "impuros": corantes, conservantes, gorduras trans, açúcar refinado, sal, agrotóxicos, pesticidas, entre outros.

Outra característica típica é a preocupação com a preparação e utensílios usados para preparar os alimentos. Praticamente não comem fora de casa e começam a evitar encontros sociais e jantares para evitar as "tentações" disponíveis. Não perdem a oportunidade de pesar os alimentos e carregam um sentimento de culpa gigantesca sempre que não cumprem as "suas regras".

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Acabam por isolar-se para conseguirem alimentar-se da forma que consideram saudável, rejeitando comer em restaurantes ou em casas onde não tenham controlo total. A dieta "saudável" acaba por tomar conta das suas vidas.

O problema é que a pessoa ortoréxica não procura ajuda porque acredita que estar a fazer a escolha correta, contudo não é raro aparecerem na consulta de nutrição, sempre acompanhados por alguém que já se apercebeu do extremismo, já com sinais de desnutrição ou défice de determinados nutrientes (queda de cabelo, unhas quebradiças, entre muitos outros).

Em todos estes doentes, é necessário realizar análises laboratoriais para ter a compreensão e permitir a intervenção nos vários défices de nutrientes que irá necessitar em termos de suplementação e de adequação na dieta. Em alguns destes doentes há necessidade de um acompanhamento multidisciplinar que inclua a psicoterapia.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ortorexia afeta 28% da população dos países ocidentais com tendência a aumentar, porém alguns grupos foram identificados nos últimos trabalhos científicos. Dentro deles, aparecem os atletas, os artistas, os médicos e as nutricionistas. Para Portugal ainda não existem dados epidemiológicos.

Mais uma vez ao longo da semana vou pormenorizar os vários fatores desta patologia para que fiquem mais atentos a quem vos rodeia e saibam reconhecer sintomas.

Este tema foi pedido por um leitor através do email disponível, por isso se tiverem alguma dúvida ou algum assunto sobre o qual gostavam que eu escrevesse é só dizerem.

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Até para a semana!

Por Inês Morais
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