Vigorexia, será que já ouviu falar?

Depois de falarmos durante tanto tempo de nutrição no desporto, até nas diferentes etapas da nossa vida, impõe-se falar de um tema muito atual e que cada vez mais se manifesta – a vigorexia. No momento em que vivemos, a preocupação com a imagem e com o corpo faz parte da rotina da sociedade em que estamos inseridos. Contudo, a exacerbação do desejo de se encaixar dentro de um determinado padrão pode trazer sérias, e graves, consequências.

Nas últimas décadas começou a haver uma preocupação excessiva com a aparência e patologias como anorexia, bulimia e transtornos alimentares tornaram-se mais expressivos. Mas, agora, já não basta ser magro e que as roupas assentem como se tivessem sido feitas para nós, a exigência de hoje em dia é parecer um atleta de alta competição, mesmo que a nossa rotina obrigue a estar sentado oito horas em frente a uma secretária ou a fazer atendimento ao balcão.

O objetivo é músculos super definidos, muita massa muscular e resistência física digna do Homem de Ferro, com competições altamente intensas ao fim de semana, mas sem qualquer vislumbre de fadiga na segunda feira… Mas e se a natureza não o presenteou com esta condição física ou tem um horário profissional e familiar que não permitem chegar a esse ponto, o que vai ficar para trás?

É aqui que acho pertinente definir o que é a vigorexia, que se caracteriza por ser a obsessão por um corpo perfeito. É transtorno de dismorfia muscular, em que a insatisfação com o corpo é constante. Há uma componente psicológica que leva o sujeito a viver obcecado pela imagem física, e tornar-se viciado em exercício. Para além disso é uma doença de origem fisiológica, associada a problemas hormonais ao nível dos neurotransmissores do sistema nervoso central. Outros fatores muito importantes e que podem contribuir para este comportamento obsessivo são os sociais, culturais e educativos.

Até há um tempo esta patologia manifestava-se mais no género masculino, mas cada vez mais mulheres começam a sofrer desta patologia em que vão criando uma imagem distorcida do corpo e, mesmo que a tonificação muscular já se evidencie, nunca é considerada suficiente. Transformam as suas casas em autênticos centros de treino ou passam horas a fio a treinar, desvalorizando completamente os sinais de fadiga ou cansaço.

O que acaba por acontecer, inevitavelmente, é uma fraqueza muscular generalizada, acompanhada de cansaço extremo, irritabilidade, insónias e, muitas vezes, depressão. Para piorar esta situação, também a nutrição sai prejudicada nesta patologia.

Geralmente o vigorético, em prol da atividade física extrema, acaba por estar associado à ingestão abusiva de proteínas e redução drástica de hidratos de carbono e gorduras, que acompanha com uma quantidade gigantesca de suplementos com o objetivo de acelerar o crescimento muscular e a destruição de massa gorda.

Acaba por tornar-se óbvio que esta dieta desequilibrada e ingestão de suplementos mal controlados trará consequências metabólicas severas no organismo que muitas vezes têm como sintomas: mudanças de humor, cansaço, lesões musculares e, em casos extremos, depressões e taquicardias.

Durante a semana vou ajudar a perceber e a identificar sintomas e, espero eu, deixar-vos mais despertos para situações que estejam a acontecer convosco ou com pessoas que vos sejam próximas.

Por Inês Morais
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