Artur e seus pares

Artur e seus pares

Escaldado da experiência que teve com Roberto no ano passado, o Benfica optou este ano por Artur Moraes. E a escolha não podia ter sido mais acertada. Ao contrário dos calafrios que o espanhol pregava aos benfiquistas, o guardião brasileiro respira tranquilidade e frieza dentro de campo, dando segurança a companheiros e adeptos.

Ser guarda-redes não é fácil. É uma das profissões mais exigentes que podemos encontrar no mundo do desporto. Em poucos segundos, pode-se passar de bestial a besta. O perigo espreita por todos os lados e a pressão da assistência é enorme. Numa equipa que luta por títulos, para exercer esta função, além da qualidade, é preciso ter fibra. E Artur reúne estes requisitos.

PUB

O brasileiro contratado ao Sp. Braga é atualmente o melhor guarda-redes da Primeira Liga. Não é “vistoso”, preferindo a simplicidade de processos, mas é imperial entre postes, eficaz nos cruzamentos e rápido a fazer a mancha aos adversários. O brasileiro quase parece intransponível e é um dos responsáveis pelas excelentes prestações que o Benfica apresenta neste momento. É um jogador capaz de valer pontos preciosos.

De águia ao peito está também Eduardo. Com Artur à sua frente, o internacional português dificilmente conseguirá uma utilização regular que lhe permita lutar com Rui Patrício pela baliza da Seleção Nacional. O sportinguista, por sua vez, após alguns deslizes comprometedores e cinco golos sofridos ao serviço de Portugal, tem no ressurgir de um Sporting forte a sua reabilitação. As vitórias geram confiança e esta dinâmica poderá trazer novamente o melhor Rui Patrício.

Num Dragão que tem estado irreconhecível está o guardião Helton. Por ser um dos capitães, mas também o elemento mais velho do plantel portista, o brasileiro é o líder de uma equipa que tem aparecido lenta, desgarrada e sem ideias para atacar a baliza adversária. Mas não é por sua culpa que tal acontece. O talento de Helton dentro de campo tem evitado, na verdade, que os danos sejam ainda maiores para o FC Porto.

PUB

Um dos grandes dilemas que as equipas têm pela frente é o de encontrar formas de motivar um jogador que já foi campeão. Depois de ter ganho tudo na época anterior e com alguns jogadores a mostrarem vontade de sair, a equipa portista parece desmotivada. Helton, que já conhece a mística e a cultura de vitória do FC Porto, poderá ser vital para o reacender da chama do Dragão.

Numa Primeira Liga dominada por jogadores estrangeiros, é ainda de destacar o feito de dois guarda-redes portugueses. Até à sétima jornada, Rui Rego (Beira-Mar) e Quim (Sp. Braga) foram os menos batidos, com dois e três golos sofridos, respetivamente, o que constitui uma marca digna de realce. Outros bons valores do nosso campeonato são os brasileiros (este país outrora deficitário está a tornar-se uma potência nesta posição) Diego (V. Setúbal) e Fabiano (Olhanense). Pena é que obriguem duas opções para a Seleção portuguesa a sentar-se no banco: Ricardo e Ventura.

Olhando para o futebol internacional, não espanta que duas das principais transferências tenham sido as dos guardiões David de Gea (ex-Atlético Madrid) e Manuel Neuer (ex-Schalke) para Manchester United e Bayern Munique. No futebol atual, os guarda-redes são, sem qualquer dúvida, protagonistas maiores. E qualquer grande clube sabe que as vitórias começam a ser conquistadas com uma baliza bem protegida.

PUB

Deixe o seu comentário
PUB
PUB