Aupa, Atleti!

Aupa, Atleti!

Ontem foi um dia histórico para todos os adeptos do Atlético Madrid. Voltámos a ser campeões de Espanha passados 18 anos! Em pleno Camp Nou! Foi um jogo impróprio para cardíacos. Os craques de Cholo Simeone, mais uma vez, tinham de ser heróis. E começou da pior forma. Tudo contra nós: as lesões de dois craques como Diego Costa e Arda antes da meia hora de jogo, um golo de Alexis naqueles remates que entram uma vez na vida e cem mil culés a puxarem pelo Barça. Mas esta equipa nunca baixa os braços, nunca se assusta com nada nem ninguém. E luta até morrer. Como provou a grande atitude de todos e o golo de Godín. Este título é totalmente justo. Tão justo que até os adeptos do Barça aplaudiram os heróis colchoneros no final do jogo. Apesar da tristeza por terem perdido a oportunidade de serem campeões no seu próprio estádio, também eles sentiram que o Atlético, por tudo o que fez ao longo da época, merecia mais este título. O 10.º da sua história. Tenho a grande honra de ser embaixador desta equipa para a final da Champions da próxima semana. Parabéns a todo o mundo colchonero. Aupa, Atleti!

Neste momento, a minha cabeça também já está nessa outra grande finalíssima que Lisboa vai receber na próxima semana entre o meu Atlético Madrid e o nosso eterno rival Real Madrid. Em Espanha fala-se que vão viajar para Lisboa mais de cem mil adeptos dos dois clubes. Os madrilenos vão invadir Lisboa. Com a terrível crise que estamos a viver, este evento vai ser importante para ajudar algumas famílias portuguesas que podem fazer negócio. Esse é o lado mais importante da final de Lisboa. Quanto ao jogo, tenho apenas um desejo: que os jogadores portugueses do Real Madrid façam um grande jogo, que o Cristiano faça cinco golos, que o Atlético ganhe 6-5 e que nenhum dos portugueses se lesione porque o Mundial está aí à porta.

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Quero sempre o melhor para Portugal e para os portugueses. Por isso, na última quarta-feira, senti uma tristeza enorme com o desfecho da final da Liga Europa. Estava em Espanha, a ver o jogo com alguns amigos espanhóis. Não eram do Sevilha, mas torciam pela equipa do país deles. No final do jogo, deram-me cabo da cabeça e começaram a gozar: “O Benfica é um dos clubes com mais finais europeias perdidas.”

Disse-lhes que era verdade, mas estavam a ver as coisas mal. E defendi-me desta maneira: “Sabem o que é chegar a 10 finais? Sabem quantos clubes conseguiram ultrapassar esta marca?” “Não”, respondeu-me um deles. “Pois não. Mas eu digo-te. São poucos. À frente do Benfica, apenas Barcelona e Real Madrid (17), Milan e Juventus (14), Bayern Munique (12) e Liverpool (11).” Calaram-se logo. Não abriram mais o pio. E continuei. “Digo-vos mais: destes clubes, muitos também perderam várias finais, como o Benfica. Ou seja: estamos a falar de seis gigantes, com orçamentos milionários desde sempre. E o Benfica vem de Portugal. Um país apenas com 10 milhões de habitantes. Mas aparece nesta lista ao lado dos maiores clubes de Espanha, Itália, Inglaterra e Alemanha. Alguns dos melhores clubes do Mundo. Tal como o Benfica.”

Nessa altura, os meus amigos espanhóis acenaram com cabeça em concordância. “Sim, perder uma final europeia é sempre um momento muito triste. Mas chegar a dez finais tem de ser um êxito para um clube e para o país desse clube”, admitiu um deles.

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Isto é o que tem acontecido ao Benfica. Fez uma grande campanha na Liga Europa, eliminando equipas como o Tottenham e a Juventus, que têm o triplo do orçamento. Por isso, os adeptos encarnados têm de estar orgulhosos da sua equipa. O Benfica foi melhor do que o Sevilha nos 120 minutos, também não gosto de falar sobre os árbitros, mas há, pelo menos, um penálti sobre o Lima que deveria ter sido marcado e a equipa perdeu apenas na lotaria das grandes penalidades. Nós, portugueses, não temos tido sorte nos penáltis na altura dos grandes momentos. Recordo-me do Benfica na final da Champions frente ao PSV Eindhoven, em 1988, e da Seleção Nacional contra a Espanha nas meias-finais do Euro’2012.

Mas a vida continua. O mundo benfiquista não tem parado. E a equipa joga já esta tarde uma final da Taça de Portugal. A terceira final do Benfica nesta época. Isso, por si só, é um grande feito. Será, uma vez mais, contra o Rio Ave, outra equipa que está a fazer uma época excelente e que disputa hoje a segunda final da sua temporada. Neste caso, não tenho favoritos. Espero apenas que seja um grande jogo e uma festa bonita do futebol português. Ganhe quem ganhar!

GRANDE CALDEIRADA

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O caso Markovic

Markovic estava no banco e foi expulso por causa de um problema de Vucinic com Artur. Havia o testemunho do jogador da Juventus, havia provas filmadas que o Benfica apresentou à UEFA, mas, mesmo assim, o sérvio ficou fora da final. Lembro-me que, em 2001, Ayala, do Valencia, foi expulso por uma falta cometida pelo seu colega Angloma. O Valencia recorreu e Ayala acabou despenalizado. Um caso muito semelhante ao de Markovic, mas com um desfecho completamente diferente que tirou um craque da final e prejudicou o Benfica.

NÓS LÁ FORA

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Os portugueses do Sevilha

Beto, Daniel Carriço e Diogo Figueiras. Infelizmente, ganharam a final da Liga Europa contra uma equipa portuguesa. Só tenho pena porque a vitória deles significou a derrota do Benfica. Mas estão de parabéns. Beto voltou a ser o herói das grandes penalidades depois de já ter feito o mesmo frente ao Betis no jogo dos quartos-de-final. Carriço, a jogar a trinco, encheu o meio-campo. Diogo Figueiras ainda é jovem, mas tem muito potencial e vai ser mais um grande lateral-direito do nosso futebol. Já que o Benfica perdeu, pelo menos, do outro lado, houve sorrisos portugueses.

DO MEU ALBÚM

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Os “amarelinhos”

Nunca perdi um grande jogo por causa de cartões amarelos. Aconteceu-me apenas noutras partidas, menos importantes e, mesmo assim, ficava louco. Por isso, só posso imaginar a revolta de jogadores como Xabi Alonso (Real Madrid) ou Salvio (Benfica), impedidos de jogar as finais por causa de “amarelinhos”. Compreendo os que ficam de fora por vermelho, mas é uma injustiça os “amarelinhos” não limparem nas finais. É muito melhor para o espetáculo e para o negócio. Imaginem, agora, que o Cristiano ou Diego Costa estavam fora da final de Lisboa por causa destes “amarelinhos” da treta? Não pode ser. Essa lei tem de mudar. Para bem do futebol!

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