Godinho & Pinto para isolar Benfica

As contas dos clubes pressupõem rigores de gestão. A conjuntura não está para grandes negócios e a tendência vai ser essa: cada vez mais os “grandes negócios” serão uma raridade e, neste particular, o FC Porto – mesmo considerando as virtualidades do seu departamento de scouting –, e porque não é uma excepção no que diz respeito à difícil situação financeira em que se encontram os clubes portugueses, terá acrescidas dificuldades para se diferenciar nas dinâmicas do mercado.

Poder-se-iam, pois, no âmbito da conjuntura económica, achar mil razões para uma “nova ordem” na relação entre os grandes do futebol português. Racionalmente, sem colocar em causa rivalidades e aspectos de natureza emocional, seria importante que clubes da mesma zona geográfica partilhassem os mesmos estádios e outras infra-estruturas desportivas, o mesmo se podendo dizer em relação a troca de jogadores. Não há essa cultura em Portugal (as alusões às boas práticas italianas devem ser um mero exercício de comicidade) e, como diz o povo, quando a esmola é grande, o pobre desconfia... E mais desconfia quando a “atracção” se chama Marat Izmailov, internacional russo de 30 anos, contratado pelo Sporting em 2007/08 e que, em 6 épocas, realizou 81 jogos (incompletos) para o campeonato ao serviço dos leões, uma média de pouco mais de 13 jogos (incompletos) por época.

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Não aterrou uma nova lógica de gestão em Portugal e não há motivos para pensar que Pinto da Costa, coerente durante decénios relativamente à sua política de alianças, queira alterar, em fim de ciclo, neste particular, uma visão que lhe proporcionou êxitos e a mudança de regime no futebol luso.

Parece óbvio, para além de questões relativas a ganhos e perdas no plano desportivo, cujas contas se farão lá mais para diante se as trocas (de atletas) entre Sporting e FC Porto se concretizarem, que há uma motivação de natureza estratégica nesta aproximação. É conhecida a distância cavada entre Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, com consequências ao nível das relações institucionais entre os dois clubes rivais. Sabe-se, por outro lado, como se acentuou nos últimos meses o distanciamento entre Godinho Lopes e Luís Filipe Vieira e o concomitante afastamento institucional entre Sporting e Benfica. As “peças” encaixam-se mais uma vez, como aconteceu tantas outras vezes na história do futebol nacional: o Sporting encontra aqui uma forma de “retaliar” o seu vizinho da Segunda Circular; o FC Porto acha vantagens de virar maiores baterias contra o maior rival das últimas épocas.

Izmailov é um pormenor. O efeito principal desta aproximação é isolar o Benfica, que se afastou ainda mais do clássico teatro de operações quando decidiu achar um caminho distinto do FC Porto e do Sporting, em matéria de direitos televisivos.

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A“história” nem sequer é nova e talvez seja importante recordar que um dos principais activos do FC Porto da actualidade, João Moutinho, pelo menos em termos desportivos, foi negociado na presidência de José Eduardo Bettencourt em maré de “boas relações” com o clube do Dragão. O FC Porto sempre teve uma simpatia paternalista pelo Sporting, sobretudo quando o clube de Alvalade deixou de lutar pelo título, e o Sporting, agarrado àquilo que são as memórias das décadas de 50, 60 e 70, prefere ver o FC Porto na liderança.

O FC Porto está certo: contribuindo para a divisão dos clubes de Lisboa, é mais fácil gerir, agora, os frutos da supremacia adquirida. De resto, a contratação de Jesualdo Ferreira pelo Sporting não é inocente... Sabe-se quanto Godinho Lopes estima a postura de Pinto da Costa; sabe-se, aliás, que a opção por um regime presidencialista é inspirado no modelo construído pelo presidente do FC Porto. É ele quem inspira verdadeiramente Godinho Lopes. Quem melhor do que Jesualdo Ferreira para fazer a ponte com o FC Porto, através de Antero Henrique e do próprio Pinto da Costa?

Godinho Lopes não se consegue segurar nem internamente nem na periferia da “comunidade Sporting”. Busca, então, o apoio externo, que ele acha ser o mais fiável...

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AVB terá sempre tarefa difícil

Nunca será fácil a afirmação de André Villas-Boas no contexto do futebol internacional. Foi muito importante ter passado pelo FC Porto, com títulos conquistados. Como foi fundamental a experiência no Chelsea. Entregou-se ao futebol inglês, que tem tudo a ver com os seus conceitos e forma de estar, e está a conseguir, finalmente, agora no Tottenham (3.º lugar), alguma notoriedade. Não é um treinador que tenha sido levado ao colo pelo “sistema” (leia-se ser beneficiário das simpatias dos labirintos do agenciamento e das intermediações), definiu o seu caminho (sem “padrinhos”) e lá vai percorrendo as etapas, tendo já passado por algumas experiências – úteis no presente e no futuro. A sua independência merece respeito.

“Condecorações”

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Depois de Raul Meireles ter sido quase condecorado pelos fautores de poder no futebol em Portugal, no rescaldo do castigo aplicado pela federação turca, eis que o argentino Insúa, do Sporting, “repete a graça”, no caso vertente cuspindo o jogador Lionn, do Rio Ave. Não há acto mais repugnante em competição do que um futebolista cuspir o árbitro ou um adversário. Não entende assim a FPF. Dois jogos de suspensão ao lateral-esquerdo leonino correspondem a uma punição muito branda. A justiça desportiva tem muito que se lhe diga. Cuspidelas valem encómios...

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