O Sporting pode tornar-se na “maternidade” do FC Porto e, no plano dos interesses do campeão nacional, faz sentido. Atente-se: o Sporting é uma das melhores “escolas de formação” do Mundo.
Detecta e forma jogadores, sem retirar deles o máximo proveito desportivo e financeiro. O FC Porto já percebeu isso e ajuda-nos a compreender que o problema do Sporting não é da falta de qualidade de muitos dos seus futebolistas; é enquadrá-los num regime de treino e competição exigente (como acontece no Dragão). O FC Porto não foi a Alvalade buscar jovens jogadores; foi recuperar atletas que fizeram grande parte da sua carreira no Sporting. Para resolver um problema de curtíssimo prazo. Para situações de efeito imediato, mesmo com jogadores acima dos 30 anos, o que pensaram os responsáveis portistas? Conciliar o interesse financeiro (contratações de baixo custo e de valorização improvável) com o tónico subjacente de fragilizar, nem que seja psicologicamente, um dos seus rivais, transformado aliás em “amigo”, o que representa boa estratégia do ponto de vista da gestão das parcerias, encontrado que está o verdadeiro “inimigo” (Benfica).
Segundo números que têm vindo a público, Liedson custará ao FC Porto cerca de 90 mil euros/mês, durante meio ano, numa primeira fase, o que representa uma operação de cerca de 600 mil euros, talvez um pouco mais, se se achar normal contabilizar mais alguns prémios que estejam previstos no (possível) contrato. O plantel é curto e os responsáveis portistas reconhecem a necessidade de fazer esses acertos. A defesa está bem (mesmo com Rolando fora das contas) e já se percebeu que Maicon (agora de regresso) e Mangala funcionarão como “jokers”, o brasileiro à direita se acontecer alguma coisa a Danilo; o francês à esquerda, se houver alguma indisponibilidade com Alex Sandro. E ainda há Abdoulaye quando esses “jokers” saírem, por necessidade, das suas posições originais.
O FC Porto tem outro “joker”, porventura de maior valor: Defour. O que significa para Vítor Pereira ter “14 titulares”, 15 se Atsu não estivesse condicionado pela CAN, cujo número sobe agora para 17, com as contratações dos ex-leões Izmailov e Liedson. É basicamente com estes 17 jogadores que o FC Porto vai tentar renovar o título de campeão nacional, com a apertada concorrência do Benfica.
Fazem sentido as contratações de Izmailov e Liedson? Fazem, porque em princípio jogarão pouco e porque, afinal, para 6 meses, era difícil gastar menos dinheiro... com (mais) dois jogadores que dizem muito cá na paróquia... e menos na América do Sul...
Nota – O Sporting viu-se e desejou-se para vencer o Beira-Mar: valeu São Patrício. O FC Porto não enjeita de o ter, nem enjeitaria Carrillo, Adrien, Insúa e Labyad. Tenho a certeza.
JARDIM DAS ESTRELAS
Boa aposta de Guardiola
Não é um campeonato mediático, mas é um excelente campeonato. Na liga alemã, há espectáculo, boas assistências e a mais sólida situação financeira no plano das principais Ligas europeias. A Bundesliga, por força da melhor administração dos recursos produzidos na competição, é vista como aquela que está mais bem preparada para enfrentar, a curto prazo, as exigências do fair play financeiro imposto pela UEFA.
Não espanta portanto a opção de Pep Guardiola, um produto de uma dinâmica de trabalho chamada “escola do Barcelona”, em se vincular ao Bayern, depois de alguns meses de pausa, longe dos palcos futebolísticos. Guardiola viu bem. O futebol alemão é menos susceptível a deixar influenciar-se por loucuras episódicas. O Barcelona tem agora a preocupação de segurar os seus “guardiolinhas”.
O CACTO
Que... Lance!
É este o problema do Desporto profissional. Uma máquina montada, muito trabalho visível e invisível, milhões de euros a circular, tudo ao serviço das “estrelas”, observadas como verdadeiros ícones à escala mundial. A história de Lance Armstrong já foi contada um ror de vezes, de maneira diferente. Afinal, foram vitórias artificiais, forjadas no logro e na mentira. Um aviso sério para aqueles que aceitam todas os triunfos sem mínimo escrutínio e também para a força da hipocrisia.
TEMPO EXTRA
Muda o sistema?
O “sistema” no futebol português relaciona-se com a capacidade que os protagonistas têm em condicionar as decisões, no âmbito da arbitragem e da justiça desportiva. Na arbitragem, a preocupação não se centra apenas no desempenho do chefe da equipa em cada jogo. Os árbitros-assistentes passaram a ser alvo de apertada vigilância. Mas, antes do desempenho, há a nomeação. Nomeações essas que têm uma base regulamentar, superada no entanto, em muitos momentos, por critérios altamente subjectivos.
No futebol português, temos exemplos de protagonistas que entendem que os jogos não se ganham apenas em função do talento dos jogadores e do conhecimento dos treinadores. É algo mais profundo. O que se passou com a nomeação de João Ferreira para o Benfica-FC Porto e os critérios utilizados no clássico indiciam que o “sistema” mudou ou está a mudar?