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Opinião
Pedro Adão e Silva Professor Universitário

O mal do Benfica

çAs derrotas do Benfica com o Sporting e, pior, as exibições lastimáveis não foram fortuitas, nem muito menos provocadas por erros de arbitragem. Têm razões estruturais, que nasceram numa época com um planeamento desastroso, e são um sintoma de um mal maior.

Há, pelo menos, três pecados originais a marcarem o Benfica 2015/16: a gestão da saída de Jorge Jesus, a formação do plantel e a indefinição do sistema de jogo. 

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Se o Benfica queria mudar de treinador, devia tê-lo assumido, em lugar de fingir que quis manter Jesus; se estávamos perante um ano de transição competitiva, com a aposta em jovens, devia ter sido dito, em vez de se disfarçar que Rui Vitória teria - cito as garantias dadas por Vieira na apresentação do novo treinador - "as mesmas condições que outros tiveram"; se era chegada a altura de mudar o sistema de jogo, a opção tinha de ser tomada integralmente e não deixar a equipa no limbo tático em que se encontra.

Aliás, talvez nem seja necessário complexificar muito. A diferença do Benfica deste ano para o de Jesus é o efeito combinado de menor qualidade do plantel e ausência de uma ideia de jogo enraizada. Nas épocas anteriores, o Benfica foi tendo jogadores de muita qualidade; este ano, aprofundou-se o declínio que já vinha da época passada. Acima de tudo, no passado, existia uma ideia de jogo percetível, agora esses princípios eclipsaram-se e no seu lugar vê-se uma equipa que joga sem critério e que, custa a decidir, não sei se é pior a defender ou a atacar.

Por Pedro Adão e Silva
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