O poder da intuição

O poder da intuição

No mundo do futebol, a intuição é uma ferramenta poderosa. Em certas situações, por exemplo, um jogador pode pressentir que a bola vai cair em determinada zona do terreno e, ao chegar lá primeiro, pode criar uma jogada de perigo. Já um treinador tem de escolher as melhores táticas e os atletas mais indicados, assim como fazer as substituições certas, para defrontar um determinado adversário.

A equipa do Barcelona, que joga praticamente de olhos fechados, com cada jogador a saber o que tem de fazer, consegue ter uma perceção quase que instintiva sobre como chegar ao golo e bloquear os oponentes. E essa capacidade de prever o imediato dá ainda mais confiança ao conjunto de Pep Guardiola, que tem em Messi, para lá da sua enormíssima valia, um dos jogadores mais intuitivos da atualidade.

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E um avançado como o ex-portista Radamel Falcão, que muitas vezes me faz recordar o bibota-de- ouro Fernando Gomes, consegue encontrar variadas formas de abanar as balizas adversárias. Para além de uma boa interpretação do jogo, conhecimento dos colegas e capacidade de finalização, o colombiano “cheira” o golo através da intuição, aparecendo sempre de forma oportuna para fazer aquilo que mais gosta.

Privado de Falcão, precisamente, e ainda de André Villas-Boas, o FC Porto teve de recorrer esta época à capacidade de se reinventar. Esta característica ímpar, tem também algo de intuitivo. A máquina portista perde peças importantes no seu xadrez, sejam elas jogadores ou treinadores, mas subsiste como equipa de topo através da aposta em novos valores. No entanto, intuir nem sempre traz os resultados esperados. E a recente série de jogos sem vencer dos dragões prova isso. As substituições contempladas por Vítor Pereira nessas partidas acabaram por não ter o “o toque de Midas” desejado. Por paradoxo, acusam agora o treinador de ter uma deficiente leitura de jogo, contrariando os elogios oriundos dos tempos em que auxiliava Villas-Boas. Ainda será cedo para concluir se Vítor Pereira vale ou não ouro...

Quem começa a caminhar para uma carreira dourada é o argentino Nico Gaitán. O médio benfiquista está a assumir-se como uma das grandes referências encarnadas. O argentino descobre espaços, assiste os seus companheiros e não se inibe igualmente de rematar à baliza. O perfume do seu futebol está cada vez mais liberto e apresenta uma forte vertente intuitiva, ao decidir muitos lances de forma rápida e eficaz.

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Para que uma equipa consiga trilhar uma campanha recheada de êxitos, parte do segredo está na motivação psicológica. Em fazer crer aos jogadores que vão entrar em campo e sairão vitoriosos, independentemente dos rivais que tiverem pela frente. Esse pressentimento vai-se enraizando na mente de todos e, por vezes, é o fator extra necessário para ultrapassar obstáculos mais difíceis. O Sporting parece readquirir esta vivência, há muito afastada de Alvalade. Veremos até onde chegará este leão.

Por falar em leões, o ex-leonino Danny, agora no Zenit, da Rússia, alcançou uma dimensão e qualidade bem superior à dos seus tempos de verde e branco. O internacional português é hoje um 10 de extrema elegância e categoria. Com um físico mais robusto, o médio corre imenso e tem liberdade tática para aparecer em todo o ataque. A sua imaginação faz mossa nas defesas e revela uma coisa: a intuição está ao alcance de todos, mas há uns que a usam melhor do que outros.

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