Portugal gigante

Portugal gigante

As finais europeias estão a chegar e o meu coração vai bater forte nos dois jogos. Esta quarta-feira será como português. Irei sofrer pelo Benfica, para que o nosso país possa ganhar mais uma Liga Europa. É impressionante aquilo que os nossos clubes têm alcançado nesta competição. Os grandes resultados fizeram com que Portugal ultrapassasse a Itália no ranking da UEFA. Isto era impensável há uns anos, mas só mostra a grande criatividade e qualidade com que se trabalha no nosso país, mesmo com muito menos dinheiro do que os clubes dos principais campeonatos.

Neste momento, ocupamos o quarto lugar, apenas atrás de Espanha, Inglaterra e Alemanha. Em Itália há equipas com orçamentos milionários e alguns dos melhores jogadores do Mundo. Mas em Portugal estamos a fazer mais com menos. Aqui não há jogadores contratados por 20 ou 30 milhões. Por esse preço, temos de vender. Mas há equipas, como o Benfica desta época, que mostram que os orçamentos não chegam para vencer jogos, como ficou provado nas eliminatórias frente aos milionários Tottenham e Juventus.

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A equipa do meu amigo Jorge Jesus está em terceiro lugar do ranking, apenas atrás do Real e do Atlético Madrid. Pode consolidar essa posição já na quarta-feira, nesta grande temporada que está a fazer. No ano passado muita gente considerou a campanha do Benfica um fracasso por ter perdido tudo no fim. Perder daquela forma, realmente, foi muito duro para o mundo benfiquista. Mas nunca se pode dizer que é um fracasso quando uma equipa chega a duas finais e perde o campeonato só na última jornada. Também me recordo de ir a Espanha dias depois da final da Liga Europa contra o Chelsea e só se falava do Benfica e do grande banho de bola que tinha dado aos londrinos. No ano passado o que falhou ao Benfica foi aquela estrelinha da sorte que todos os campeões precisam de ter nos grandes momentos. Mas este ano os encarnados estão a consolidar o bom trabalho da época passada. Uma equipa que chega duas vezes consecutivas à final de uma competição europeia tem de ter muito mérito e trabalhar de forma excelente. Seria impossível se não houvesse muita qualidade da parte de todos: equipa técnica, jogadores e direção. E, desta vez, acredito que o Benfica vai trazer a taça para Portugal. Mas será mais uma batalha difícil.

O Sevilha tem uma equipa experiente e muito lutadora, com jogadores de grande qualidade em todos os sectores, como os portugueses Beto, Daniel Carriço e Diogo Figueiras. O maior perigo vem das duas estrelas de serviço: o croata Rakitic (médio de grande nível, líder e capitão dos andaluzes) e o colombiano Carlos Bacca (o homem-golo da equipa de Unay Emery). Muito cuidado com eles! Podem desequilibrar a qualquer momento. Mas o Benfica é melhor, tem mais qualidade e acredito que, logo a seguir ao jogo, o Marquês de Pombal se vai encher de benfiquistas e de portugueses de outros clubes para festejar mais uma vitória do nosso futebol.

Espero que aconteça o mesmo com os adeptos do meu Atlético Madrid na semana seguinte. Vamos jogar uma final da Champions contra o nosso eterno rival, em Lisboa. Para mim, não haveria melhor desfecho do que ver o meu clube ganhar a Champions no meu país. Por estes dias, Portugal vai ser o centro do mundo do futebol. Primeiro, com o Benfica na Liga Europa. Depois, com a final madrilena em Lisboa. O meu desejo é que estas duas semanas possam entrar para a história do Benfica e do Atlético.

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Ao mesmo tempo que chegamos às finais europeias, o mercado está a mexer-se. O FC Porto apresentou esta semana o novo treinador para a próxima época. Conheço muito bem Lopetegui. Tive o privilégio de jogar contra ele várias vezes. Foi um grande guarda-redes que fez carreira em clubes como o Real Madrid, Barcelona, Logroñés e Rayo Vallecano. Negou-me muitos golos, mas também lhe consegui marcar alguns. É verdade que, como treinador, nunca orientou uma equipa de topo. Este vai ser o seu maior desafio. Mas acredito que esteja preparado. Passou pelo Rayo e foi selecionador das camadas jovens de Espanha durante muitos anos, onde se sagrou campeão da Europa em sub-19 (2012) e sub-21 (2013). Nessas equipas, ajudou a formar alguns dos melhores jogadores da atualidade do futebol espanhol, como José Rodriguez, Morata e Cañales (Real), Thiago Alcântara (Bayern), De Gea (Manchester United), Cristian Tello (Barcelona) ou Rodrigo (Benfica), entre outros. É um treinador da escola de Pep Guardiola. Com ele, o FC Porto também será uma equipa a fazer uso do tiki-taka e sempre a tentar ter mais posse de bola do que os adversários.

Enquanto os dragões apresentaram um novo treinador, o Monaco rescindiu contrato esta semana com Claudio Ranieri e fala-se que está a tentar levar Leonardo Jardim. Os milhões do Mónaco são intermináveis. Se quiserem muito, não há nada a fazer. Mas seria uma pena. Leonardo Jardim fez um trabalho incrível esta época e precisa de ficar, para que o Sporting possa continuar a crescer a nível nacional e internacional. Se o Monaco o contratar, será a pior notícia para o universo leonino. O futebol português precisa de segurar treinadores como Leonardo Jardim e Jorge Jesus. Só assim os nossos clubes poderão continuar a brilhar no estrangeiro e a fazer deste pequeno país um gigante do futebol europeu.

GRANDE CALDEIRADA

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Convocatória de Scolari

Quarta-feira começaram as caldeiradas com as listas de convocados para o Mundial. A primeira foi no Brasil. Scolari deixou de fora dos 23 jogadores como Lucas (PSG) ou Filipe Luís e Miranda (Atlético de Madrid). Lucas é um dos melhores extremos do Mundo. Um craque capaz de resolver um jogo a qualquer momento. Na seleção, só Neymar é melhor do que ele a nível ofensivo. Já Filipe Luís e Miranda estão a realizar uma época fantástica no meu Atlético de Madrid. Scolari preferiu chamar outros, como o veterano defesa-esquerdo Maxwell, do PSG. Estas escolhas estão a ser muito criticadas no Brasil. Mas o mesmo aconteceu em 2002, em relação a Romário, e Scolari voltou a casa com a taça de campeão do Mundo.

NÓS LÁ FORA

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Paulo Sousa campeão

Mais um treinador português a brilhar no estrangeiro. O Maccabi Telavive, orientado pelo Paulo Sousa, sagrou-se campeão de Israel no passado fim de semana. Tive o privilégio de ser colega do Paulo no Benfica e na Seleção. Foi um dos melhores médios de sempre do futebol português. Como treinador, tem feito boas campanhas em diferentes países, como Inglaterra e Hungria. Este título de campeão de Israel mostra que ele é capaz de treinar com qualidade em qualquer parte do Mundo. Parabéns, Paulinho! Parabéns, campeão!

DO MEU ÁLBUM

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Grande tripla

Na próxima sexta-feira estarei com o meu amigo Sousa Martins (a quem, carinhosamente, chamo «Mano» Sousa) na FNAC do Colombo, para apresentar o novo livro de outro grande amigo meu, o Luís Aguilar. Isto fez-me lembrar os tempos que passei com o «Mano» Sousa no programa que tivemos juntos (ele foi o meu professor de televisão) e com o Luís a escrever os meus livros (as biografias do «El Portugués»). Vou ter o privilégio de estar com os dois. Um campeão da televisão e um campeão da escrita. Tenho a certeza de que vai ser um grande dia e vamos fazer uma grande tripla.

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