_
Há momentos que iremos sempre recordar dos Mundiais: o slalom de Maradona à Inglaterra em 86, o golaço de Hagi à Argentina em 94, o "bis" de Ronaldo "Fenómeno" na Final com a Alemanha em 2002, a extraordinária recuperação da França frente à Argentina de 0-3 para 3-3 no Qatar-22, talvez a melhor Final que já vi (de Mundiais e não só), mas que de nada valeu aos franceses, depois dos penalties ganhos pela Argentina.
Este Mundial de tantos jogos já teve alguns momentos inesquecíveis: os penalties do Países Baixos-Marrocos, o "hat-trick" de Dembelé à Noruega, a recuperação da Bélgica frente ao Senegal de 0-2 para 3-2, o voo perfeito de Gonçalo Ramos nos descontos do Portugal-Croácia.
Mas nada que se compare a Cabo Verde, a mais bela história destes EUA/Canadá/México-2026. Essa história bonita já tinha começado com o empate soberbo com Espanha. Mas sobretudo com o extraordinário 2-2 com o Uruguai, polvilhados com dos golaços de Kevin Pina e Hélio Varela. O empate com a Arábia Saudita tinha confirmado a passagem histórica de um estreante à fase a eliminar. Mas o grande momento dos "Tubarões Azuis" foi o jogo com a Argentina.
Cabo Verde não é um derrotado. Ficará sempre na coluna dos vencedores deste Mundial. Jogou sempre positivo, nunca baixou os braços, mostrou qualidade e critério. Adicionou sonho à qualidade que é preciso mostrar a este nível. O golo fabuloso de Sidny Lopes Cabral aos 102, a fazer um 2-2 que fez tremer os argentinos, fez-me lembrar (pelo arco, pela potência do remate, pela posição, pela improbabilidade) o golo de Maniche à Holanda, na meia-final do Euro-2004 (os mais novos que vão procurar ao You Tube).
E agora? França, Espanha e Marrocos foram as três melhores seleções que vi até agora neste Mundial. Os gauleses talvez sejam o principal candidato ao título. Espanha ou Portugal, quem vencer o duelo mais desejado dos "oitavos", lança-se para forte candidatura à vitória final. Marrocos, que junta eficácia com futebol que encanta, reforçou com os 0-3 ao Canadá que é mesmo pretendente ao título mundial (ou, pelo menos, a ser a primeira seleção africana a estar presente numa Final). A Argentina tem de fazer muito mais que do que fez com Cabo Verde para revalidar o título. O Brasil deve ter passado a Noruega (escrevo antes do jogo), mas ainda não mostrou futebol convincente para que o "hexa" seja provável. E se a Inglaterra eliminar o México no Azteca pode mesmo sonhar com o título.
Portugal? Para eliminar Espanha tem de estar melhor em quase tudo o que mostrou até agora. Mas é possível, claro. Num duelo destes, os nossos melhores instintos, geralmente, revelam-se.
Por Germano Almeida