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Portugal está prestes a alcançar a sua quinta qualificação consecutiva para o Europeu. Se a isto juntarmos a presença nos últimos três Mundiais (2002, 2006 e 2010), podemos concluir que se trata, inegavelmente, de uma proeza fantástica para um país com a nossa dimensão. Basta um ponto para a Seleção garantir amanhã o passaporte para a competição que a Polónia e a Ucrânia vão receber. No entanto, frente à Dinamarca, acredito que apenas um resultado estará na mente dos portugueses: a vitória.
A qualificação para o Euro’2012 teve um arranque atribulado. O caso Carlos Queiroz, muitíssimo mal gerido pela direção da FPF, trouxe instabilidade à equipa das quinas, o que redundou num surpreendente empate caseiro com o Chipre e numa derrota na Noruega. A Seleção portuguesa entrara em descrédito e poucos acreditaram que chegaria ao final da campanha com sucesso.
Porém, a chegada de Paulo Bento trouxe uma lufada de ar fresco à equipa portuguesa. O selecionador teve grande mérito na capacidade de melhorar o ambiente existente no balneário, escolhendo um grupo confiante e unido em prol de um objetivo. A “evasão” de Ricardo Carvalho foi a única exceção a esta regra, um comportamento difícil de entender, pela serenidade e bom comportamento que o jogador sempre demonstrou, mas também por ser uma baixa importante na nossa defesa. Mesmo assim, isso não nos impediu de ganhar os últimos jogos da fase de qualificação.
Com exibições mais ou menos bem conseguidas, o importante é que a meta foi alcançada. E eis que chegamos à última jornada com a Dinamarca. A vitória e o empate garantem o primeiro lugar, mas até uma eventual derrota com os dinamarqueses poderá não comprometer o apuramento. A situação é relativamente confortável.
Mas não podemos cair em ilusões. Em Copenhaga, Portugal terá de entrar em campo para ganhar, para não correr o risco de depender de terceiros. Estou em crer que é isso que passa pela cabeça do selecionador e dos jogadores, que, depois de uma recuperação brilhante, não vão querer morrer na praia.
Para tal, só uma Seleção ao seu melhor nível poderá sair vencedora. Os erros defensivos cometidos no jogo com a Islândia terão de ser corrigidos face a uma equipa da Dinamarca que apresenta um jogo aéreo e físico bem mais ameaçador e perigoso que o dos islandeses. Rolando e Bruno Alves têm todas as condições para bloquear os gigantes nórdicos.
No meio-campo, o trio composto por Raul Meireles, Carlos Martins e João Moutinho, este último cada vez mais imprescindível no onze, terá de fazer aquilo que sabe melhor: ser rápido, pressionante e imaginativo, jogando preferencialmente pelo chão, de modo a encontrar espaços para que armas como Ronaldo, Nani e Hélder Postiga possam faturar.
Portugal vai vencer a Dinamarca. Não o afirmo apenas como palpite. Este é um daquele tipo de jogos que mexem com o orgulho dos jogadores portugueses e a sua qualidade vai saltar ao de cima. E Paulo Bento estará, de certeza, interessado em continuar com a sua senda vitoriosa em jogos oficiais. Além disso, esta é uma excelente oportunidade de quebrarmos um enguiço que fez ontem, precisamente, 34 anos. É que a última vitória da Seleção por terras dinamarquesas aconteceu a 9 de outubro de 1977, quando vencemos por 4-2 na fase de apuramento para o Mundial’78.