A seleção nacional de andebol apresentou-se frenética no campeonato do mundo, acumulando vitórias, grandes exibições, coletiva e individualmente, e muitos, muitos golos. Em Oslo, na capital norueguesa, a jornada portuguesa começou com três vitórias seguidas: contra os EUA, o Brasil e os anfitriões, a Noruega, perante mais de 11 mil adeptos. Portugal apurou-se para a ronda seguinte no primeiro lugar, apenas com vitórias.
Nesta ronda, tínhamos encontro marcado com duas das mais fortes seleções do andebol mundial, a Suécia e a Espanha que, entre si, contam já com seis títulos mundiais (quatro para a Suécia e dois para Espanha) e o Chile. Portugal começou por empatar com a Suécia para dois dias depois batermos Espanha com uma exibição magistral. A vitória contra o Chile, por 18 golos de diferença, selou a presença inédita nos quartos-de-final. Portugal apresentou um andebol de elevado nível, dinâmico e repleto de soluções coletivas e individuais.
Nesta quarta-feira, no jogo dos quartos-de-final, frente à Alemanha (tricampeã mundial), a emoção não podia ter sido maior. E não fosse a exibição do guarda-redes alemão, a diferença de golos poderia ter sido maior. Vencemos a 3 segundos do fim, num jogo que dificilmente será esquecido.
Permitam-me ressaltar duas figuras centrais do nosso andebol atual. Dois grandes vimaranenses que contribuem, e muito, para o sucesso do andebol e da seleção nacional: o capitão Rui Silva e o presidente da Federação de Andebol de Portugal (FPA), Miguel Laranjeiro. O primeiro, com um percurso já longo na elite do andebol mundial, saído da formação do Xico (Francisco de Holanda), lidera pelo exemplo. O segundo, que serviu Guimarães e o país como deputado da Assembleia da República eleito pelo PS, tem elevado o andebol português a patamares internacionais nunca alcançados. Cito o próprio Miguel Laranjeiro, numa entrevista dada há dias, sobre a nossa participação neste mundial: "Estamos no mais alto palco do andebol internacional e Portugal está a fazer uma caminhada extraordinária."
O destaque de Guimarães no andebol nacional emerge, não só pelos seus protagonistas individuais, mas também pelos seus clubes, com relevo para o Vitória, o Xico, e o Fermentões, referências incontornáveis e históricas do andebol nacional que orgulham Guimarães, os vimaranenses e o desporto nacional.