Falava na semana passada da montanha-russa emocional em que parece viver o adepto vitoriano, capaz de atravessar todas as sensações jornada sim, jornada não. Mas desta vez nem foi preciso esperar uma semana, bastaram 90 minutos. A primeira parte do último jogo voltou a deixar bem vincada uma marca que não gostamos de ver: uma equipa sem a atitude e a alma que se exigem. Sentia-se isso nas bancadas, mais despidas do que habitual, sinal que se espera não traduzir desânimo nem afastamento.
O intervalo trouxe outra resposta. Mais intensidade, mais compromisso e, sobretudo, a demonstração de que, mesmo reconhecendo fragilidades, há sempre forma de as disfarçar quando a vontade aparece primeiro. Os últimos jogos demonstram bem que não chega aparecer. É preciso ser consequente. É isso que separa o entusiasmo passageiro da verdadeira consistência.
Claro que sábado será diferente. Estes jogos não precisam de motivação extra, jogam-se por dentro e por fora, na bancada e no balneário. Já tivemos capítulos intensos esta época, alguns dignos de guião improvável. Curiosamente, a pressão parece morar do outro lado, onde os argumentos não têm evitado tropeções.
Uma última nota, clara. O racismo não tem “mas”. Houve um tempo em que o país parou para criticar, em uníssono, alegados insultos racistas de adeptos do Vitória a Marega. Hoje, os mesmos comentadores multiplicam explicações para relativizar atitudes de um atleta. O racismo enoja. A incoerência também.