No futebol, como no campeonato, não conta como começa, mas como acaba. Em Arouca, a vencer por 0-2, parecia improvável imaginar nova reviravolta consentida pelo Vitória. Ainda para mais quando, na deslocação anterior, o triunfo também esteve duas vezes do nosso lado antes de outra remontada alheia. Há hábitos difíceis de explicar e ainda mais difíceis de aceitar.
O momento está longe de ser animador, roça mesmo o angustiante. Oscilamos entre desejar que a época termine depressa e acreditar que ainda é possível alcançar os lugares assumidos como objetivo logo no arranque. Uma montanha-russa emocional sem cinto de segurança.
Se o nosso humor desse origem a um gráfico, seria um eletrocardiograma irregular, desses que deixam qualquer cardiologista em sobressalto. Luís Pinto não escondeu a insatisfação: uma equipa ausente durante largos períodos, por vezes quase sobranceria, paga caro — sobretudo quando o plantel revela fragilidades conhecidas.
Fragilidades que diminuem quando se corre mais, se quer mais e se acredita mais, como na Taça da Liga, mas que regressam com eco ampliado quando a equipa desaparece do jogo, como no Estoril, em Arouca ou até na Taça de Portugal.
Resta saber que face surgirá no próximo sábado. Talvez baste subir o nível de alerta e concentração. No fundo, algo simples - mas que, por estes dias, tem parecido estranhamente complicado.