O regresso da voz nunca anuncia o fim da festa. Anuncia, isso sim, que ela ficou cá dentro. Que vai demorar a sair. Talvez prepare a próxima. É nisso que gosto de acreditar.
Com Leiria como palco e prova, podemos dizer sem medo: é possível ter finais de qualidade sem os de sempre, sem o guião gasto, sem a sensação de que tudo já estava decidido antes do apito inicial.
Guimarães é identidade. É comunidade. É pertença. E o Vitória é uma extensão desta forma muito própria de estar. Leiria foi especial. Seria sempre. Mas o jogo quis mais. O enredo puxou pela emoção até ao limite.
Na bancada deixámos de ser quem temos de ser todos os dias e fomos, por algumas horas, apenas quem somos. Gritámos. Chorámos. Abraçámo-nos sem pedir licença. Vivemos.
A minha memória não chega a 88. Mas chega a 2013 e agora a 2026. Momentos que ficam colados à pele. O desafio é fazer disto hábito e não intermitência.
No caminho de regresso, o corpo pedia descanso. A véspera tinha sido longa, a manhã exigente, e a madrugada já ia alta. Mas há coisas que não se negoceiam. E permito-me um episódio pessoal.
Já passava das três da manhã. Cansados quase
todos. Equipado a rigor, depois de também ter feito o caminho desde Leiria, o
meu sobrinho, com cinco anos apenas, foi questionado se não queria ir dormir.
Respondeu sem hesitar, com a convicção que só a infância tem:
“Não. Vamos para a Festa. Quero ir para a Festa.”
É isto que nos faz especiais. E não há explicação suficientemente boa para o traduzir.
Fomos à Festa, claro.