A notícia da saída de Francisco Conceição para o Ajax veio instaurar um estado de insatisfação no seio do Dragão. O talentoso avançado era visto, no universo portista, como uma aposta para curto-médio prazo.
A verdade é que, pese embora o génio do jovem e o profissionalismo bem patentes, este cenário era já por demais expectável. A aposta no jovem, pelas mãos do seu pai, Sérgio Conceição, foi sempre demasiado escrutinada pela opinião que, não raras vezes, acusava o técnico de nepotismo. Não era razão para tal mas uma mentira repetida muitas vezes...
Mesmo com a espuma do tempo a fazer-se valer, as sucessivas boas indicações do atleta não foram suficiente para que a opinião pública, enformada e estigmatizada, deixasse de olhar para Francisco e Sérgio enquanto filho e pai e não como dois profissionais de excelência no futebol português.
A nova época era, portanto, um novo teste de fogo. Num FC Porto em mutação, depois das já badaladas saídas de Fábio Vieira, Vitinha- sobretudo estes- e Mbemba, era de esperar que Francisco Conceição pudesse aspirar a mais tempo de jogo nesta época. A decisão do jovem passou por uma saída para o estrangeiro, chegando a um clube que, habitualmente, faz da aposta em jovens a sua política desportiva.
Do futebol português parte, infelizmente, mais um jogador de grande craveira, procurando um lugar ao sol no estrangeiro. Espera-se que, agora, liberto da pressão mediática e de uma opinião pública feroz e castigadora, Francisco Conceição possa ter a paz e a liberdade para que possa cumprir o destino que muitos já lhe traçaram.