José Ribeiro e Castro
José Ribeiro e Castro Ex-dirigente do Benfica

De todos, um

O título deste pequeno texto é o mais óbvio e o menos original de todos. Mas o título mais benfiquista e o mais necessário sempre.

Grande jornada foram as eleições do Benfica. Feito verdadeiramente notável, facto único no desporto português e no associativismo nacional: mais de 38.000 sócios a votar! Fantástico. Quase o dobro do record anterior. Como não temos podido ir ao Estádio, mostrámos a força benfiquista indo em peso às eleições como nunca acontecera.

Esta mobilização fora-de-série deve muito à cultura democrática do clube: é uma das causas e também o efeito inevitável da sua grandeza.  Deve-se também à pluralidade dos candidatos e à sua qualidade. Foram eles que nos mobilizaram. Foi por causa deles que fomos votar no futuro do Benfica. O futuro estava em discussão e tínhamos por onde escolher. A todos devemos estar gratos, desde o vencedor ao menos votado, incluindo os que desistiram pelo caminho. Todos convocaram os benfiquistas a esta participação campeã.

Fui apoiante do João Noronha Lopes. Não vencendo, como queríamos, alcançou um resultado muitíssimo bom: 34,7% dos votos, 37,6% dos votantes. Parabéns! Recordo o que escrevi para o RECORD, no artigo que intitulei "Amanhã é sempre longe demais": «Noronha Lopes pode ser para muitos o dois em um: um candidato para ganhar já ou um candidato para se perfilar para a eleição seguinte. Simpatizo com a ideia de uma "reserva benfiquista": não uma oposição, que irrita as pessoas, não faz sentido, é instrumentalizável, gera grande usura; mas um espaço de reflexão alternativa, independente dos diretores, capaz de pontuar um ou outro momento e acumular capital para o momento do chamamento, se acontecer, quando acontecer.»

Os 261.574 votos estatutários que recebeu constituem uma grande responsabilidade nos próximos quatro anos. Não são para embandeirar em arco, nem são para abandonar. As eleições acabaram e seria um erro enorme esticá-las.  Mas as figuras, as referências continuam – os sócios precisamos delas. Se Noronha Lopes mantiver a vontade e, com os seus mais próximos, não cometer, nem acumular erros, poderá vir a ser o próximo Presidente do Sport Lisboa e Benfica. Também escrevi naquele artigo: «Pela dimensão de que Luís Filipe Vieira dotou o Benfica, a sucessão não é matéria fácil. Quem se apresente a eleições tem de dar, pelo seu perfil, pelo seu passado, pelo seu presente, garantias de que é capaz de aguentar o barco, o pôr a navegar bem e o levar mais longe. Sempre pensei que só um benfiquista assim pode dar aos sócios, no momento da transição, as garantias que queremos e exigimos para bem e segurança do grande Benfica.»

Essa questão pôs-se agora. E voltará a pôr-se daqui a quatro anos. Repito: o Benfica não gosta de oposições, nem de precisa delas. Mas para eleger um Presidente precisa de escolhas seguras, sólidas e confiáveis, enraizadas, conhecedoras e credíveis.

Uma palavra para Luís Filipe Vieira, nosso Presidente há muitos anos e reeleito com 62,6% dos votos para o que disse ser o último mandato.

Não há um só benfiquista, consciente de o ser e do que significa sê-lo, que não lhe deseje o maior sucesso, incluindo nas questões reputacionais, que são as que mais o magoaram certamente e nos ferem a nós também. Desejamos que tudo passe e não volte mais. A seguir a ele próprio e à sua família, somos nós benfiquistas que mais desejamos que todas as acusações decaiam e não surjam outra vez, porque somos a sua família associativa e desportiva. Todo o benfiquista quer manter e guardar do seu Presidente orgulho e confiança. Parto de novo do que escrevi: «Em dezassete anos de liderança e cinco mandatos, Luís Filipe Vieira realizou muito. Transformou o Benfica para maior e para melhor. Alcançou resultados desportivos que nos fugiam. Já disse e escrevi que Luís Filipe Vieira corre o risco de ficar como o melhor Presidente de toda a história do Sport Lisboa e Benfica: a conclusão da reconstrução iniciada por Manuel Vilarinho, o novo Estádio, o centro do Seixal e a política de formação, a recuperação competitiva das modalidades, o Tetra no futebol, o regresso a finais europeias, a gestão da SAD, a Benfica TV, a inovação e agressividade comercial, um vasto universo associativo, societário e comercial – tudo festejámos e agradecemos a Luís Filipe Vieira. Mas, neste momento, Luís Filipe Vieira corre o risco de não ficar como o melhor Presidente do Benfica – prolongamento excessivo dos mandatos; esgotamento, quando se o deixa acontecer. O último mandato mostra-o já: casos que acarretaram dano reputacional; uma gestão desportiva não conseguida, oscilações claras de estratégia e de rumo nos planos de gestão (por exemplo, a OPA sobre a SAD) e desportivo.»

Acabada a campanha, feita eleição, todos os benfiquistas – eu também – desejamos ao Presidente eleito a capacidade e a sorte para realizar os projectos inovadores e as ideias boas que apresentou. Os 38.000 votantes também se devem a Luís Filipe Vieira e ao que tem realizado. Pode fazer ainda melhor – todos querem que, podendo, faça melhor. Ninguém deseja que não seja o melhor Presidente. Todos desejam – e eu também – que fique como o melhor Presidente de sempre de toda a História do Benfica. Até para que aquele que venha a seguir possa ter de fazer ainda melhor para a grandeza contínua do Benfica, em Portugal, na Lusofonia, na Europa e no mundo.

Parabéns! Muito sucesso aos dirigentes eleitos. Muito sucesso ao Sport Lisboa e Benfica.

Hoje, vencer o Standard de Liège. No resto da época, ganhar tudo o que há para ganhar, em Portugal e na Europa. Vencer nas modalidades. Ter os nossos atletas e equipas a afirmar-se nas competições nacionais e internacionais em que estamos, incluindo os Jogos Olímpicos, onde queremos contribuir para Portugal a brilhar.

Um Benfica estável, um Benfica ambicioso, um Benfica de fair-play, um Benfica de referência, um Benfica campeão em 2020/2024.

E pluribus unum.

José Ribeiro e Castro (sócio 4051 do Benfica)

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