Nuno Saraiva
Nuno Saraiva Sócio do Sporting

Ser Sócio não é só ter direitos

Aquilo a que temos vindo a assistir em algumas Assembleias Gerais do Sporting Clube de Portugal, com insultos e tentativas constantes de intimidação a quem ousa discordar de uma certa facção que se opõe à Direção, é intolerável, até porque fere os princípios e os valores do próprio Clube.

Não podemos apontar o dedo às AG’s de outros clubes em que voam cadeiras e os sócios se agridem e depois nós permitirmos e sermos condescendentes com este tipo de comportamentos. É óbvio que convocar uma Assembleia Geral para as 18h30 de uma quinta-feira é discutível e é correr o risco de ter um pavilhão vazio. Mas os Sócios do Sporting Clube de Portugal, se querem continuar a ser donos do Clube (e eu quero), têm que ser responsáveis e comparecer e participar na vida do Sporting.

Frederico Varandas tem mais de 40 anos de sócio do Sporting Clube de Portugal, conhece muito bem o Clube e tem enorme respeito pelos Sócios. Trabalhei com ele vários anos e sei da sua profunda cultura democrática e de respeito pela massa associativa. O que ele fez, depois dos resultados da AG de dia 30 de setembro, foi solicitar a convocação de uma nova Assembleia Geral para que essa massa associativa, que não são 400 pessoas que há muito não aceitam nem se conformam com decisões democráticas tomadas pelos Sócios do Sporting Clube de Portugal em assembleias muito participadas, se pronuncie e assuma as suas responsabilidades.

O que Frederico Varandas e o atual Conselho Diretivo fizeram, e na minha opinião muito bem, foi chamar novamente os Sócios a participar em atos decisivos e estruturantes da vida do Clube e que têm repercussões no futuro do Sporting Clube de Portugal.

No fundo, e em síntese, é disto que se trata: Se passamos a vida, e muito bem, a encher a boca para dizer que o Sporting é dos Sócios, naturalmente que também temos que ser coerentes e acatar que os Sócios têm óbvios direitos e deveres que decorrem dos estatutos e da sua própria condição de associados. E um desses deveres, além da militância, que nunca foi o nosso forte para lá da presença maciça em estádios e pavilhões dentro e fora de Portugal, é proteger o Clube de certos extremismos e de algum radicalismo.

Para nos situarmos em termos de contexto, estamos a falar de uma aprovação de contas referentes a dois anos dificílimos, em que as finanças de todos os clubes foram devastadas pela pandemia de COVID-19 - veja-se o que está a acontecer mesmo em grandes colossos como o Barcelona ou o Real Madrid -, e mesmo apesar de toda essa seca e com uma brutal perda de receitas, o Sporting Clube de Portugal conquistou inúmeros títulos nacionais e internacionais nas principais modalidades do Clube. Seria sempre um ato de elementar justiça, de bom senso e de sensatez aprovar as contas que foram propostas apresentando um lucro de 4 milhões de euros, e o orçamento que foi apresentado.

Isto seria tanto mais importante e justo quando estamos confrontados com resultados desportivos extraordinários, que resultam de uma filosofia de sustentabilidade, consequência de um mundo que abanou tanto com esta crise pandémica.

Dito isto, o Sporting Clube de Portugal precisa de paz e de estabilidade. Compete-nos a todos nós garantir e assegurar que elas existem, a bem dos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal.

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