Famalicão, sábado à tarde, ao minuto 31. O Benfica vencia 0-2, com penálti de Schjelderup e golo de Ríos. Schjelderup cruza, Rodrigo Pinheiro corta com a mão direita, braço aberto, longe do corpo. Penálti claríssimo, conforme a esmagadora maioria dos habituais comentadores de arbitragem. Gustavo Correia não vê. O VAR — Rui Oliveira, com Fábio Maria a assistir — não chama. Estaríamos a ganhar 0-3 e a tarde tinha outra história. Em vez disso, viria um canto inventado pela equipa de arbitragem que deu o golo de Abubakar a empatar aos 78 minutos e mais quinze minutos finais de aflição. Gostaria de questionar como é possível que cada cruzamento para a nossa área instale o pânico e crie uma ocasião flagrante para o Famalicão. Mas o espaço é curto e a indignação fala mais alto.
A avaliação do lance foi grotesca. Ainda para mais por um árbitro que marcou um penálti contra o Benfica num jogo com o Casa Pia em que a bola ressalta do peito para o braço de António Silva. São quatro pontos que ficam no bolso de Gustavo Correia. É mau de mais. Naturalmente surgiram clips de jornais a citar declarações sobre a preferência clubística de árbitros e VAR's mas isso para mim conta zero. Já tivemos um que diziam que era benfiquista e foi o que foi. E sejamos honestos, qualquer pessoa que ame o futebol terá um clube do coração. Nada a dizer sobre isso. Mas temos de ser implacáveis quando os erros acontecem. Ainda para mais com este nível de obscenidade. Sem consequências, adensam-se as suspeitas. As estruturas de arbitragem que produzem serviços destes têm de ser destruídas e reeinventadas. Em termos de governança, em termos de organização, em termos de incentivos. No meio disto tudo também um amarelo que tira Richard Ríos do jogo com o Sp. Braga e que ainda estamos para perceber porquê.
Isto é gozar com os adeptos, com os jogadores, técnicos, toda a gente. Até quando? E nem entro em cabalas a favor deste ou daquele. Não preciso. Também já terão havido erros grosseiros a nosso favor, outros a favor e contra os nossos adversários. Não quero entrar na contabilidade dos erros. Quero é, à cabeça, exigir responsabilidades e consequências.
Aqui está o ponto institucional. Numa indústria que move centenas de milhões em receitas, o órgão que decide quem vai à Champions, quem desce e quem sobrevive financeiramente continua a operar sendo juiz e réu. Sem responsabilização. Sem consequências. O passado não se desfaz. Os pontos não voltam, o golpe na corrida pelo segundo lugar foi dado e o caminho para a Champions ficou mais difícil.
Olhar em frente significa, no mínimo, suspender Gustavo Correia e a equipa do VAR enquanto se investiga — não como vingança, mas como sinal de que existem mecanismos. Significa expor as nomeações ao escrutínio independente. Significa avaliar toda a estrutura de arbitragem. As consequências não podem ser só para quem esteve em campo. Quem os põe e mantém lá também tem responsabilidades. Sem nada disto, repete-se o ritual: indignação, denúncia, silêncio, próximo.