As finais são para ganhar. E contra um dos maiores rivais da história, não se pode facilitar. Num dérbi minhoto carregado de emoção, com o Estádio de Leiria pintado com as cores do Braga e do Vitória, estavam reunidas todas as condições para que o SC Braga conquistasse a sua quarta Taça da Liga. A primeira final de sempre entre os dois clubes aumentava ainda mais o simbolismo do momento, sobretudo depois da vitória categórica frente ao Benfica na meia-final.
O Braga chegou ao intervalo em vantagem e parecia ter o jogo controlado. No entanto, a segunda parte trouxe uma realidade bem diferente. A equipa de Carlos Vicens permitiu a reviravolta e deixou escapar uma final que esteve ao seu alcance. Já nos instantes finais, um penálti podia ter levado o jogo para a decisão através das grandes penalidades, mas Rodrigo Zalazar, herói poucos dias antes frente ao Benfica, viu Charles fazer uma enorme defesa e segurar o triunfo para o Vitória.
Foi uma derrota dura. Não apenas pelo resultado, mas pela forma como aconteceu. Em finais, não basta competir bem durante uma parte. É preciso manter concentração, ambição e frieza até ao último segundo. As finais não se jogam, ganham-se.
Justa também uma palavra de parabéns ao Vitória pela conquista da Taça da Liga, num jogo decidido nos detalhes e com a coragem própria das grandes noites.
Ainda assim, tudo isto perdeu importância quando, já no final do encontro, se soube que um sócio e adepto do SC Braga tinha falecido após sofrer um ataque cardíaco durante o intervalo do jogo. Um daqueles adeptos únicos, sempre presentes, sempre fiéis, que acompanhavam o clube para todo o lado e viviam o Braga com o coração.
O futebol é paixão, emoção, vitória e derrota. Mas há momentos em que tudo isso se torna secundário. Aos familiares e amigos deste bracarense, deixo os meus mais sinceros sentimentos.
Hoje, mais do que discutir futebol, fica o silêncio e a saudade.