Ricardo Costa

Ricardo Costa Chairman Grupo Bernardo da Costa

Um dérbi sem alma e uma homenagem justa

O dérbi entre Vitória SC e SC Braga já se tornou um dos clássicos mais aguardados do futebol português. Estádio cheio, ambiente vibrante, coreografias impressionantes de ambas as claques – tudo parecia alinhado para um grande espetáculo. Mas, dentro das quatro linhas, o jogo ficou aquém das expectativas. Um empate sem golos que não satisfez ninguém e que deixou a sensação de que o Braga podia e devia ter feito mais.

Num jogo com esta carga emocional, não basta cumprir. É preciso querer mais, correr mais, lutar mais. O dérbi minhoto é um jogo onde não se pede apenas talento, pede-se alma. O SC Braga tem plantel e ambição para ambicionar outros voos, mas há jogos em que é preciso demonstrar em campo essa grandeza. E este era um deles.

Contudo, o fim de semana não ficou marcado apenas pelo futebol jogado. A notícia da partida de Jorge Nuno Pinto da Costa colocou em perspetiva o legado de um dos maiores dirigentes da história do desporto português. Ninguém atravessa quatro décadas de presidência sem erros, mas ninguém pode negar que Pinto da Costa transformou o FC Porto numa potência nacional e internacional. E, mais do que isso, foi um lutador incansável pelo Norte e pelo seu reconhecimento no futebol português.

O SC Braga, que também beneficiou dessa afirmação, soube estar à altura do momento, prestando-lhe uma justa homenagem. No desporto, como na vida, há rivalidades que devem ser postas de lado quando está em causa o respeito por quem tanto fez pelo futebol.

Ficou a homenagem, ficou o espetáculo nas bancadas, mas faltou o futebol dentro de campo. Fica a esperança de que o próximo dérbi minhoto seja jogado com mais alma pelos Guerreiros do Minho.

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