O jogo do Hugo

O sucesso jamais será um acidente, ele resulta ao invés, como descreveu um dia Pelé, do trabalho árduo, perseverança, estudo, sacrifício e – acima de tudo – da paixão que colocamos naquilo que fazemos.

Se no Sporting de hoje não faltam motivos de celebração, estabilidade e rumo, tal novidade não é com toda a certeza obra do acaso. Ao invés, ela é o eco de muitas vozes afinadas e o produto do esforço de muitas mãos entrelaçadas.

Numa orquestra afinada o mérito é tão difícil quanto inútil de atomizar. De Frederico Varandas, passando por Hugo Viana e Rúben Amorim, sem esquecer os sucessivos planteis, os sócios e simpatizantes, os funcionários, os comentadores e – até sem ironia – os tratadores de relva todos fazem a sinfonia.

Neste contexto, a saída de Hugo Viana constitui uma notícia ordinária e natural. Contas feitas, sob a sua égide, os Leões encaixaram 451 milhões em vendas, seis das quais (284 M€) respeitantes às transações astronómicas de Bruno Fernandes, Pedro Porro, João Palhinha, Manuel Ugarte, Matheus Nunes e Raphinha.

Ademais, para lá dos lucros colossais, as contratações cirúrgicas que colmataram estas saídas não só não nos fragilizaram, como permitiram incrementar a competitividade e o valor de mercado do elenco. Gyokeres, Hjulmand, Pedro Goncalves, Francisco Trincão, e Ousmane Diomande sustentam cabalmente esta análise.

Viana rumará a Manchester, onde substituirá Txiki Begiristain, mas o seu instrumento será tomado pelas mãos de Bernardo Palmeiro e Flávio Costa, sendo provável que a melodia verde e branca prossiga harmoniosamente.

Quando, em 2004, José Mourinho rumou a Londres, o Futebol Clube do Porto não só não definhou, quanto se reinventou e logrou – uma vez mais – triunfar a nível doméstico e internacional. Atrás do Special One, seguiram Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e Maniche. Anunciaram e garantiram que o mundo azul e branco iria acabar, mas esse tal mundo não se acabou.

Perder um bom director-desportivo não é desprezível, mas certamente não será definidor. Ninguém se considera escravo de ser feliz, mas o sucesso apresenta a sua factura. De todas as formas de pagar, sorrir talvez seja mesmo a menos aflitiva.

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