De olho neles

António Simões
António Simões Ex-internacional português

Dar posse à posse

Há grande expectativa nacional em relação ao Mundial da Rússia. Vai ser uma soberana oportunidade para confirmar a mercê do jogador lusitano, de resto exibindo as credenciais de campeão europeu. Oportunidade última para alguns, oportunidade primeira para outros. O certame, com toda a sua envolvência mediática, resulta num ensejo extraordinário para qualquer interveniente.

Este Mundial pode, no que a nós respeita, provocar o nascimento de novos príncipes e o fim do império absoluto do rei. Cristiano Ronaldo, sem mácula, desfruta do estatuto invejável de líder, ou não seja ele uma das mais imponentes figuras do histórico da bola universal. Todos esperamos o seu rendimento superlativo, mas que também concorra para estimular os jovens companheiros no alcance do patamar superior do jogo e para a confirmação no contexto planetário, mais a correspondente senda vitoriosa (e vistosa) do combinado nacional.

Este vai ser o campeonato da posse, da posse da bola. O predicado, o atributo maior de todos os competidores não vai escapar ao preceito que enuncio. Ter a bola, não perder a bola, guardar a bola, esconder a bola. Bola, muita bola, sempre e sempre bola.

O objetivo é a posse, a posse da bola. Mas ter posse não chega, está longe de garantir o sucesso. Dir-se-á que é como ter muito dinheiro e não saber o que fazer com ele, desconhecer como aplicá-lo, desperdiçá-lo com incongruências. E os melhores capitais, em tudo na vida, muito no futebol, não são despiciendos, menos ainda descartáveis.

Ter a bola é ter apenas uma parte do jogo. Importa saber o que fazer com ela, tal como saber o que fazer sem ela. Ainda assim (e todas as seleções vão cultivar esse princípio até à exaustão), é melhor ter bola. E depois? Depois há a baliza. Pois há, há mesmo, até um garoto entende, como entende que só pode vencer quem fizer golo, golo ou golos. E o golo, no futebol, é a única coisa que não tem defeito.

Acresce que a posse de bola, sendo fundamental, nem sempre é decisória. Com bom passe, aí sim, reside a maior virtude. Só há passe com posse, mas nem sempre há bom passe com posse, ainda que a boa posse potencie o bom passe. E o bom passe potencia a finalização, potencia o golo ou os golos.

Reitero a ideia, válida para Portugal e demais antagonistas.O Mundial vai decorrer sob o signo da posse de bola. O resto, na maioria das vezes, ficará por conta dos melhores rasgos, dos melhores desequilíbrios, dos melhores talentos. E que sejam, já agora, pintados de vermelho e verde.

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