Hoje conto-vos uma história de um lisboeta com um talento curioso: perder cedo para vencer melhor depois. Na infância, caiu da bicicleta tantas vezes que aprendeu a antecipar a queda — e a desviar-se dela. Na escola, errou perguntas simples, mas nunca deixou de fazer as difíceis. Descobriu que ganhar não era cruzar a linha primeiro, e sim voltar todo dia para a pista. Já adulto, falhou decisões, acertou muitas mais, mas continuou afincadamente o seu projeto de vida, onde uns o amavam, outros odiavam, e muitos, ainda hoje, não o compreendem. Cada falhanço vinha com um bilhete escondido: tente de novo, mas diferente. Ele leu todos. Ajustou a passada, mudou o apito, e ouviu mais do que falou. Quando enfim venceu, ninguém viu o treino invisível, nem as noites em que quase desistiu. Chamaram-no de ganhador nato. Ele sorriu. Sabia a verdade: não nascera ganhando - nascera insistindo. O vencedor do prémio figura do ano do futebol português é Pedro Proença.