Hoje conto-vos uma história onde durante séculos se repetiu que pensar bem era pensar frio. René Descartes convenceu gerações de que a razão devia governar e que a emoção era ruído. Depois veio António Damásio, em 'O Erro de Descartes', lembrar-nos de algo quase subversivo: decidimos com as emoções. Elas não são o problema,são o motor. E foi o motor que incendiou o relvado. Um golo magistral. Madrid em êxtase. A Luz em ebulição. Vinícius dançou e logo depois denunciou mais um caso de racismo. Vinte episódios desde que chegou à Europa não são histeria, são uma bandeira justa. É preciso gente com coragem. Curioso como a indignação incomoda mais do que o insulto. Prestiani negou. O árbitro, no meio de tantos erros, lá acertou uma vez, e parou o jogo. E o futebol voltou a ser espelho do que a sociedade ainda não resolveu: quer-se erradicar o racismo mas treme-se perante a hipótese de acusar injustamente. Pois justiça sem prova, é apenas convicção barulhenta.