Hoje conto-vos uma história que é muito curta, já vão ver, do jovem Ruben, que desde que chegou a Inglaterra, falava com a alma, mas ouviam-no com desconfiança. Quando se calava, acusavam-no; quando falava, torciam-lhe o sentido. Era simples no que sentia, complexo no que os outros viam. Aprendeu que nem toda a verdade encontra ouvidos, e que explicar-se em excesso é uma forma de se perder. Fechou-se, e ainda assim, foi afastado. Hoje, finalmente, caminha mais leve. Não porque o tenham entendido, mas porque finalmente deixou de ter que se explicar. Porque os erros de Jim Ratcliffe no Manchester United são anormais para um clube e um homem com tanta grandeza. Ele comprou o clube mas sem ter o controlo total, e coibiu-se de fazer as mudanças necessárias, para não ferir os seus conterrâneos. Enterrou treinadores em prol da sua imagem nos bares da cidade, porque quer, porque é milionário, e porque pode. Foi inexistente a reforma da estrutura desportiva herdada, faltou-lhe fazer no futebol o que conseguiu com acerto nas suas empresas, ou seja, o rigor, a disciplina e os resultados positivos. Confiou em dirigentes com histórico pouco convincente e de capacidade duvidosa, e em ex-craques do United que não passam de profetas da discórdia.