A performance do FC Porto na Choupana foi tão imprestável que, ao intervalo, relembrei uma das célebres frases de John Toshack. "Os meus jogadores correram no campo como frangos sem cabeça", afirmou o galês após uma dolorosa derrota do Real Madrid frente ao Rayo Vallecano, na década de 90. Toshack tinha essa rara capacidade de recorrer à linguagem hiperbólica para intensificar e melhor explicar o que lhe ia na alma. Naquela circunstância quis, evidentemente, criticar a desorientação em campo dos seus jogadores, sem com isso excluir totalmente a possibilidade de as carências se deverem também a um planeamento tático errado. Menos dado a este jargão metafórico, Vítor Bruno ateve-se a dizer, na Madeira, que os seus jogadores "não quiseram tanto ganhar como o Nacional". Ora, esta explicação tão simplista só serviu para acicatar ainda mais os ânimos, principalmente dos que acham que a vitória tem mil pais, mas a derrota é sempre filha única do treinador. E a lógica destes e dos outros censores era categórica: se os pintainhos não tiveram suficiente apetite para irem atrás da glória, a responsabilidade principal é sempre do chefe da capoeira.