Prevaleceu o bom senso e ainda bem que o último adeus a Pinto da Costa teve a grandeza que a sua história lendária no FC Porto constrangia, incluíndo o hino cantado por Maria Amélia Canossa e o cerimonial comovido no relvado do bem emoldurado estádio do Dragão. Mais conhecido pela emaciação dos obesos, o médico Fernando Póvoas terá voltado a estar à altura da mais duradoura amizade com o ‘presidente dos presidentes’ e a ele se deverá, quero acreditar, o limar das últimas arestas entre a atual direção do clube e a família do ex-presidente. Muito bem andou também André Villas-Boas, dizendo o que precisava ser dito e fazendo o que precisava ser feito, tudo nas alturas certas. Sem nunca se por em bicos de pés e respeitando integralmente as últimas vontades de Pinto da Costa. Mostrou estar à altura da difícil herança recebida, por muito que isso continue a doer à facção da claque que perdeu privilégios. No exterior da igreja das Antas, centenas e depois milhares de adeptos emocionados aclamaram as presenças mais insignes. E os aplausos mais arrebatados foram guardados para o general Ramalho Eanes, o maior herói que Pinto da Costa alguma vez teve fora dos relvados.