O Benfica decidiu experimentar uma nova forma de governação: quem aparece em maior número, mais cedo e mais perto do balneário, ganha direito a participar numa tertúlia. Não é uma alegoria. Aconteceu mesmo. Insatisfeitos com a produtividade da equipa de futebol, cerca de 200 adeptos dirigiram-se ao Seixal, exigiram ser recebidos e o clube – esse mesmo que fala tantas vezes em “valores”, “instituição” e “grandeza” – abriu a porta. Há momentos na vida dos clubes em que uma decisão aparentemente bem-intencionada revela, afinal, uma fragilidade estrutural. O que aconteceu no centro de treinos do Benfica é um desses momentos. Não foi um sinal de maturidade institucional. Foi um ato de renúncia ou até de desistência.