Há jornadas que contam pontos. E há jornadas que, com a subtileza de um martelo pneumático, contam histórias. A 27.ª ronda da Liga portuguesa pertence, sem grande margem para discussão — ou para esperança alheia —, à segunda categoria. Para o FC Porto, a vitória em Braga não foi apenas mais um triunfo; foi um daqueles momentos em que o campeonato parece olhar para si próprio ao espelho e murmurar, com resignação shakespeariana: “está feito”. É certo que a aritmética ainda permite ao Sporting sonhar — quatro pontos de atraso que podem manter-se se o jogo em atraso com o Tondela correr como planeado. Mas, como diria Jean-Paul Sartre, “estamos condenados a ser livres” e, neste caso, condenados também a aceitar o que os factos teimam em evidenciar: o Sporting continua livre para acreditar, mas cada vez mais prisioneiro da realidade.