Que Gyökeres e Rúben Amorim foram, respectivamente, o MVP (e também o maior goleador) e o melhor treinador da última edição da Liga são evidências ainda mais irrefutáveis do que o calamitoso castelhano que, descobriu-se há dias, sai da boca de André Ventura. Os talentos e as proezas do ponta de lança sueco e do treinador do Sporting são tão categóricas e consensuais que voltar ao assunto faz ainda menos sentido do que propor que um presidente da Assembleia da República adepto da normalização do discurso do ódio e da segregação racial possa ser substituído por uma ampulheta, artefacto suficiente para resolver a sua exclusiva preocupação com os tempos das intervenções parlamentares. Mas não nos desviemos do que nos traz aqui: relevar o papel positivo de outros protagonistas no campeonato. Não são escolhas consensuais, até porque no nosso futebol labiríntico há sempre quem torça o nariz. E também porque ninguém pode ter a veleidade de pensar que no futebol só há uma verdade. Como diria Valdano, quando em jogo estão variáveis de estilo e eficiência, apenas podemos decidir em função do gosto e do prazer. Que, neste caso, são os meus – e, por isso, contestáveis.