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Heróis de chuteiras

César Rodrigues
César Rodrigues Investigador

O golo que nunca o foi

Esta quarta-feira jogou a Inglaterra de Gordon Banks, guarda-redes campeão do Mundo em 1966 e arquiteto da ‘Defesa do Século’ em 1970.

"Pelé cabeceou, antecipou-se ao golo e ergueu os braços em festejo, Tostão levantou os braços, todo o Brasil elevou os braços, o Cristo Redentor do Rio içou ainda mais os braços, o Mundo alçou os braços e Banks, esse, abriu os braços, voou e disse que não…" Parou no tempo uma defesa para sempre e o mais antecipado golo de futebol não o foi.

No México’70, na fase de grupos, Banks deteve a bola e o golo congelou no tempo a estética e plasticidade da defesa. Gordon foi Flash, com uma luz que pareceu encarnar o herói de movimentos rápidos muito para além da capacidade humana.

O Brasil venceu o jogo e Banks venceu o esquecimento com uma defesa irrepetível repetida vezes sem conta na TV, quase com a esperança de que o quase-golo de Pelé se materializasse na repetição seguinte! Pelé diria que Banks foi o único a defender um golo seu e que, em mais de mil golos, lhe faltou sempre… ‘aquele’.

A Inglaterra seria eliminada nos quartos-de-final pela Alemanha, sem Banks. Normalmente com bom ‘golpe de rins’, ficou ‘fora de jogo’ devido a uma cerveja mexicana de maus fígados que bebeu na véspera! Que sirva de aviso: ‘Se jogar, não beba’!

Com grandes reflexos, Gordon foi debaixo da trave uma trave mestra da segurança inglesa nos dois Mundiais, apenas com uma derrota em nove jogos. Em 1966, sofreu o primeiro golo depois de 442 minutos, desfeiteado de penálti por… Eusébio.

Considerado pela FIFA o ‘Guarda-redes do Ano’ , entre 1966 e 1971, seria, no ano seguinte, o Futebolista do Ano em Inglaterra. Em 1972, um acidente de viação retirou-lhe a visão do olho direito. Ainda assim, mais tarde, foi contratado pelos Fort Lauderdale Strikers (EUA) e, olhando o jogo até onde a vista alcançava, tornou-se o melhor do campeonato.

A confiança que dava aos súbditos de Sua Majestade era tal, que os ingleses, tão seguros do seu Banco de Inglaterra, adaptaram o dito a Gordon: "Safe as the Banks of England".

Contra a Croácia a segurança ruiu. A prova que os ‘Banks’ de Inglaterra já não são o que eram!
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