Daniel Sá

Daniel Sá Diretor Executivo do IPAM

CAN: do sucesso comercial ao caos na final

Terminou no passado domingo à noite a última edição do Campeonato Africano de seleções, mais conhecido por CAN, com a vitória épica do Senegal numa final inacreditável, onde aconteceu de tudo.

 Ainda com as contas finais por validar, os primeiros indicadores apontam para um crescimento da receita comercial do evento que se traduzirá num aumento de 90% face à edição anterior, impulsionada por 23 patrocinadores (contra 17 em 2023).

 Espera-se que a CAN de 2025/26, disputada em Marrocos, deverá gerar um resultado líquido de 114 milhões de dólares. Vale a pena salientar que forma investidos 4,4 mil milhões de dólares em infraestruturas por Marrocos, que servirão de centro para o ciclo de 2025 até ao Mundial de 2030.

 O número de parceiros comerciais cresceu para 23, com a atração de algumas marcas globais. Os modelos de patrocínio estão a mudar da simples exposição do logótipo para um impacto mensurável, como cliques, conversões e métricas de fidelização de adeptos. Cerca de 65-75% do consumo africano em plataformas digitais está focado em desporto e música, impulsionando a necessidade de colaborações ao estilo TikTok para um envolvimento mais profundo dos adeptos, facto que a CAN explorou de forma magistral.

 Outra tendência para a melhoria da experiência do adepto, são as equipas a utilizarem blogues ao vivo, salas de chat digitais e plataformas de venda direta ao consumidor para controlar o conteúdo e rentabilizar os dados dos adeptos. Vale a pena recordar a demografia dos adeptos: 70% da população de África tem menos de 35 anos, destacando-se um público jovem e que dá prioridade ao digital.

 Quando tudo parecia muito bem encaminhado para a melhor edição de sempre da CAN, eis que os últimos minutos da final entre Senegal e Marrocos se transformam num autêntico pesadelo. Depois de 85 minutos de futebol bem jogado e emotivo, ninguém esperava o que viria acontecer nos minutos seguintes.

 Um golo mal anulado e um penalti duvidoso marcar logo a seguir transformaram o estádio num caldeirão autêntico. O Senegal ameaçou e abandonou o relvado. O público tentou invadir. Ameaças, empurrões e insultos por todos os intervenientes. Uma equipa de arbitragem incapaz a assistir a tudo. Ao fim de 20 minutos de interregno uma estrela do Real Madrid tem a oportunidade de uma vida de ficar na história do seu país e resolve desperdiçar, naquele que ficará conhecido como o pior Panenka da história do futebol mundial.

 Perde África que estava prestes a mostrar ao mundo todo o seu talento e excelência no futebol mundial bem como na organização de competições desta dimensão. Demorará alguns anos a reconquistar a confiança de adeptos e patrocinadores.

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