André Villas Boas afirmou recentemente que o Futebol Clube do Porto estaria perto de ter sido comprado por um fundo de investimento norte-americano.
Os próximos anos, já estão e, vão continuar a romper em definitivo com o passado recente. Se nos clubes pequenos e médios não se esperam grande evoluções, já no que diz respeito ao desporto de alta competição, a história vai ser muito diferente.
Toda uma nova geração de fundos de investimento, milionários das tecnológicas e dos novos negócios, muitos dos atletas milionários com capacidade para realizar grandes investimentos, as grandes multinacionais de vários setores, estrelas de cinema, artistas, músicos e todo o tipo de celebridades, estados e países ou outro topo de associações vão dominar e tornar-se donos ou investidores de todos os bons clubes desportivos. Todos.
Imaginem a CVC, Providence, JP Morgan, Amazon, Facebook, Google, Messi, Jordan, Paul Gasol, Juan Mata, Coca-Cola, L´Oreal, Procter & Gamble, Red Bull, Zara, Disney, Tom Cruise, Rolling Stones, Harry Styles ou Tom Brady a serem donos, ou deterem ações do Benfica, Porto ou Sporting ou a comprarem a Volta a Portugal, o Estoril Open, a Maratona de Lisboa ou a Taça de Portugal.
Seguindo a lógica do mercado empresarial e do valor de cada ativo, cada clube, evento ou produto terá um valor mais ou menos apetecível, com maior ou menor potencial e dirigido a segmentos de mercado mais específicos ou para as grandes massas. O desporto de topo em todo o mundo, e Portugal não será naturalmente uma exceção, vai estar disponível na grande montra mundial onde tudo se compra e tudo se vende.
Tal como já acontece nos restantes setores de atividade, a indústria do desporto vai seguir as tendências empresariais atuais e será liderado por conglomerados importantes, peritos em maximizar receitas e investimentos. Estes investidores juntam os melhores profissionais do mercado de várias áreas e com a escala que atingem, ao deter várias empresas ao mesmo tempo, têm-se revelado imbatíveis e ninguém consegue alavancar negócios como eles.
Se procurarmos perspetivar o futuro, e não diminuindo em nada as estruturas profissionais dos principais clubes portugueses e a competência dos seus atuais dirigentes e colaboradores, temos a sensação claro que se tratam de modelos muito perto de estar esgotados. O futuro virá rápido, demolidor e implacável. Os sócios tradicionais dos clubes que se preparem. Apertem os cintos e vivam a nova montanha russa em alta velocidade.
O ritmo das mudanças na sociedade atual é estonteante, pelo que se espera que o mesmo aconteça no desporto. Toda esta geração de novos investidores introduz um nível de inovação nunca visto na indústria do desporto. Surgem novos clubes, novas competições, novos formatos, novas plataformas, novos conteúdos e produtos que desafiam todas as práticas, algumas delas que permaneciam por décadas.