O que hoje é verdade amanhã é mentira

Se a memória não me falha, António Pimenta Machado, então presidente do Vitória de Guimarãess, usou-a pela primeira vez para negar a saída do treinador brasileiro Renê Simões. Verdade naquele dia, mentira no dia a seguir. É toda uma escola de pensamento e atuação que, não sendo exclusiva do futebol, está associada a esta indústria que move milhões de euros.

Esta semana as imagens do túnel ou do acesso ao balneário de Alvalade dominaram grande parte das discussões entre adeptos, dos debates televisivos e até dos noticiários em canal aberto. A situação em si incomoda-me, não pelo caso em concreto, mas pelo padrão de comportamento que representa. No caso – e pelo que decorre das imagens - é evidente que Bruno de Carvalho não só não provoca, como não responde ao confronto. Poderia ter ficado imóvel, como nesse challenge que está na moda e não ficou, mas ver cuspidelas e outras coisas roça a imaginação mais delirante.

O que me importa é que Bruno de Carvalho também chegou ao futebol anunciando uma nova forma de estar e, sejamos claros, tem aparecido de tal maneira envolvido na confusão, que faz lembrar um dirigente da velha guarda.

Antes dele houve outros arautos da mudança que nunca o foram. Todos esses dirigentes surgiram ou ganahram dimensão, não por acaso, como oposição a Pinto da Costa. Foi assim com João Rocha, que já estava no Sporting quando o então chefe do Departamento de Futebol do FC Porto liderou o Verão Quente das Antas, foi assim com João Santos e Gaspar Ramos, com Jorge de Brito, muito com Vale e Azevedo, o homem novo e finalmente com Luís Filipe Vieira.

No Sporting, mais frágil, o projeto Roquette com o próprio e com os seus sucedâneos nasceu para lançar uma nova cultura desportiva e um novo modelo de negócio. No fim, nem uma coisa nem outra. O Sporting acabou falido e o comportamento de alguns dirigentes foi o que se sabe.

O facto é que Bruno de Carvalho, mesmo involuntariamente envolvido nesta situação, tem especiais responsabilidades. É o presidente do Sporting.

E agora? Quando tantas áreas melhoraram no futebol em Portugal continuamos na mesma na chamada Justiça Desportiva. Este caso, como o que envolve o presidente do Benfica, vai arrastar-se. Com pompa anuncia-se que os castigos podem ter dois anos ou três. Como sempre, a montanha vai parir um rato. Sabemos todos que há instâncias próprias, mas com a autoridade que lhe é reconhecida chegou a hora do presidente da Federação exercer, pelo menos, a sua magistratura de influência.

Sinal dos tempos

O Barcelona, que até aquí era patrocinado pela Qatar Airways, terá nas camisolas apartir do próximo ano a marca Rakuten. O que é a Rakuten? A marca em si será indiferente, já a área de negócio e a origem não. Trata-se de um gigante da internet no Japão e na Ásia de uma forma geral, uma potência no comércio online e que está a diversificar a sua atividade. Ao fechar um acordo com o Barcelona, hoje o clube mais bem sucedido do Mundo, quer sair das suas fronteiras e tornar-se uma marca global. O futebol, por atingir gente em todas as latitudes, tornou-se o veículo perfeito para algumas áreas de atividade.

Ao mesmo tempo, clubes que já eram eles mesmo globais, como o próprio Barcelona, o Real Madrid ou o Manchester United, cresceram de forma exponencial no incrível mercado asiático nos últimos anos. Cresceram porque este se abriu e porque super-vedetas como Messi, Ronaldo ou Pogba também fazem parte da equação.

Leonel Messi

O astro argentino respondeu dentro do campo à chuva de críticas que têm atingido a sua seleção. A resposta foi magistral revelando a dimensão única do futebol de Messi, mas o mais provável é que, como noutras ocasiões, esta incursão pela equipa nacional possa deixar marcas o que seria péssimo para o Barcelona e para o próprio jogador. Afinal foram 10 dias de tensão permanente com a imprensa, com uma campanha suja de acusações a "Messi e amigos" que culminaría com um blackout tão inevitável quanto ensurdecedor. Para já existe uma prioridade: colocar a equipa no Mundial da Rússia o que, com o clima de guerilha vigente, não é garantido.

Cristiano Ronaldo

Num início de época com tantas sombras, a Seleção Nacional tem funcionado para Cristiano Ronaldo como um porto seguro. Não passou assim tanto tempo em que, apesar dos golos, o capitão era invariavelmente criticado cada vez que vestia a camisola das quinas. Pode-se dizer que o título europeu ajudou a mudar a percepção, mas mais do que a vitória em França, foi o trabalho conjunto da Federação e do próprio Ronaldo, que o colocaram mais próximo dos portugueses. Para ele essa situação será reconfortante e para os adeptos – mesmo subsistindo críticos – também.

Deixe o seu comentário

Pub

Publicidade