O compromisso

Há promessas que não podem ser feitas. Nenhum presidente de um clube pode prometer ser campeão. Muito menos ser campeão duas vezes em quatro anos. Muito menos o pode fazer quando o seu clube não é campeão há 15 anos. Muito menos quando, depois de ter estado perto da vitória, no último campeonato, se afastou tanto dela, neste. Um presidente pode promete sanear as contas. Pode prometer fazer boas contratações e vendas. Não pode prometer campeonatos. Porque não é ele que joga, não é ele que treina e, já agora, não é ele que controla as equipas adversárias.

Assim sendo, ouvi as declarações de Bruno de Carvalho, não como uma promessa, mas como um compromisso. E o compromisso é para com os sócios: se nos próximos quatro anos o Sporting não for campeão, ele conclui que falhou nos seus propósitos e retira as devidas conclusões, não se candidatando a novo mandato. É a única coisa que pode prometer porque é a única coisa que depende apenas de si. Apesar do longo jejum sportinguista não obrigar a este compromisso (os três presidentes anteriores nunca experimentaram a vitória), ele é a conclusão lógica de quatro anos de reestruturação do clube, do grande investimento feito no treinador e do aumento da despesa com os jogadores, ontem aqui sublinhada por Pedro Santos Guerreiro. O compromisso não é insensato. Sabendo-se que o que contam são os resultados, é a assunção de uma responsabilidade de quem fez um caminho para chegar a um fim. E o "fim" é, na pior das hipóteses, daqui a quatro anos. Bruno de Carvalho tirou a conclusão certa: a votação esmagadora que conquistou, como prémio do percurso que já fez, obriga-o a conseguir chegar à meta. Neste mandato, não haverá inimigos externos que subsituam o título para o Sporting.

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