Ainda é cedo

No Aeroporto da Madeira aconteceu um acidente. Um acidente grave que deixou a cara do herói nacional, Cristiano Ronaldo, irreconhecível. Para assistir ao descalabro, que segundo o autor demorou 15 árduos dias a esculpir, as autoridades nacionais e regionais compareceram em peso. Digo Aeroporto da Madeira mas devo corrigir. Agora chama-se, para gáudio do bimbismo nacional, Aeroporto Cristiano Ronaldo. Só não sinto vergonha alheia porque sou português. Da imagem do busto ao momento patético da mudança do nome, sinto vergonha. Ponto. Nós somos mais do que aquilo, bolas!

O problema não é a principal infraestrutura da Madeira ficar com o nome de futebolista. Se o Aeroporto de Ponta Delgada tem um nome de um Papa que nem sequer é português ou açoriano, vivo bem com isso. O problema é Cristiano Ronaldo não só ser vivinho da silva, como ter 32 anos e ainda estar no ativo. Não é por acaso que se fazem homenagens deste género a mortos ou, pelo menos, a retirados. Não é porque só nos lembramos deles depois de partirem. É porque já não podem desmerecer o nome que conquistaram. Não podem fazer nada que torne a utilização do seu nome num embaraço. Dar a um miúdo de 32 anos o nome de um aeroporto é absurdo. É um insulto a pessoas com longas histórias de sucessos, batalhas, sacrifícios. Mas, acima de tudo, tratando-se de alguém que continua a jogar e está longe do fim da sua carreira, é das coisas mais estúpidas que já se fizeram neste país. E a competição não é fácil. Ainda pior do que dar o nome de alguém que morreu num acidente de aviação a um aeroporto, como se fez no Porto. Há um tempo para tudo. Ainda não é tempo para Ronaldo ser um Aeroporto.

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