Não será uma missão impossível, mas Jorge Jesus tem, no próximo ano, uma das épocas mais difíceis da sua vida de treinador. Completados dois anos, com resultados medíocres, o estado de graça foi-se.
O grande rival do Sporting, o Benfica, orientado por um treinador que Jesus menorizou, seguiu para o tetra e provou que o sucesso, afinal, continua como marca forte do outro lado da Segunda Circular. "Quando não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", foi o que assistimos neste final de época.
Depois de uma carrada de contratações falhadas, culpa de D.Afonso Henriques, Jorge Jesus informou os adeptos, em conferência de imprensa, que não tinha um banco capaz de responder a emergências, que não tinha segundas linhas. Por sua vez, Bruno de Carvalho veio afirmar que estava "farto de desculpas" e das referências ao " caudal ofensivo". As derrotas zangam as comadres e as verdades agressivas, sem medição de palavras, dão pinotes na praça pública e partem a loiça toda. Eu sei que hoje há colas de grande eficácia, mas mesmo bem colada é sempre loiça com defeito, só boa para dar de comer às galinhas.
Uma boa discussão faz parte, é mesmo obrigatória em pessoas emotivas e com egos desmesurados, mas é de bom tom que aconteça em lugar próprio e Alvalade não tem falta de espaço para se montar a sala dos sem limite.
É lá o sítio para os desabafos e mais o que for, para que poupem os sportinguistas a cenas deprimentes e não provoquem palmadas na barriga de adversários perdidos de riso. Com uma estrutura frágil e com presidente e treinador colados a cuspo, não se adivinha, para a próxima época, uma missão fácil para Jorge Jesus. E o PSG não ajudou, azar.