Cartilha cobarde

Até há uns meses o Sporting enviou para o meu mail (e ao que parece para o de outros) notas sobre os casos da semana. À partida, não vem grande mal ao mundo. Nunca lhes prestei atenção e quem me lê sabe que não sou de repetir recados. Sempre deixei claro que sou um colunista sportinguista, não sou um colunista do Sporting. Ainda assim, há uma diferença abissal entre o que chegava à minha caixa de correio sem que eu o tivesse pedido e o briefing do Benfica, que foi divulgado na semana passada. As notas que refiro eram um conjunto de informações, com as posições da direção, versões oficiais, números e dados sobre cada assunto. Mostrando pouco respeito intelectual pelos comentadores benfiquistas, a direção envia-lhes um guião, com argumentos, frases e insultos para repetir. Chega ao ponto de lhes indicar a "introdução" que têm de fazer a qualquer comentário sobre Bruno de Carvalho e o Sporting, pedindo-lhes que exibam "desprezo por esse tipo de gente". São várias páginas para explicar como os comentadores devem demonstrar que "os benfiquistas não perdem o seu tempo com Bruno de Carvalho e o Sporting".

Mas mesmo que a "cartilha" do Sporting fosse do estilo da benfiquista, dificilmente teria alguma coisa que Bruno de Carvalho não dissesse em público. O Benfica resolve os seus problemas de outra forma: o presidente fica calado e envia instruções para os comentadores insultarem os adversários. Um faz, outro manda fazer. Um diz, outro esconde-se atrás de outros para que seja dito. Esta diferença não diz nada dos dois clubes – estou seguro, até porque conheço vários, que a maioria dos colunistas benfiquistas é tão livre como eu e liga tanto àqueles mails como eu ligaria. Mas diz tudo do carácter de um e de outro presidente. Várias vezes me envergonhei com declarações de Bruno de Carvalho. Mas nunca lhe atribuirei o mais vil dos defeitos: a cobardia. Não posso dizer o mesmo de Vieira, o sonso.

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