A gala do Sporting deveria acontecer no dia 1 de julho, data do aniversário do clube. Foi assim nas edições anteriores. Por compromissos familiares e pessoais do presidente, que respeito e saúdo mas que não estão incluídos no calendário da instituição, o acontecimento foi agendado para a véspera. Este pequeno gesto, com efeitos apenas simbólicos, é revelador de uma confusão entre o cargo e a pessoa. Uma confusão que tem de ser rapidamente esclarecida. Bruno de Carvalho fez muito pelo Sporting mas nunca se deve esquecer que o clube o precede e o transcende. Não, ele não é Pinto da Costa. Por três razões: porque os tempos de glória do Sporting são anteriores à sua presidência, porque infelizmente ainda não conquistou nada do que foi conquistado pelo presidente portista e porque, ao contrário de outros, os sportinguistas são pouco dados a seguir caudilhos.
Foi o mesmíssimo Pinto da Costa que deixou Bruno de Carvalho numa situação ainda mais delicada ao afastar Nuno Espírito Santo. Fica-se com a ideia de que o Porto é mais exigente com alguém a quem paga muito menos do que o Sporting. A falta de exigência com Jesus foi, aliás, sublinhada pelo próprio presidente, que reafirmava a confiança num treinador pago a peso de ouro e com resultados medíocres no mesmíssimo momento em que desancava nos atletas das modalidades pelos seus maus resultados e nos adeptos que os apoiam pela sua benevolência. Levando, com esta absurda injustiça, à demissão do vice-presidente Vicente Moura.
Não treinadores ou presidente insubstituíves. Há resultados. E este fim de época sublinhou que anda a fazer falta uma chuva de humildade e realismo em Alvalade. Se não nas decisões fundamentais, pelo menos nos gestos simbólicos e nas palavras.
