À escala planetária, mais de mil milhões de pessoas são adeptas do futebol e destas um número imenso ama de paixão o jogo e os seus ídolos. E Cristiano Augusto é o seu grande imperador, por mérito e não por desígnio dos deuses. É um imperador destes tempos, sujeito a duras críticas, a ensurdecedores assobios e até a injustos insultos.
Um homem da estirpe de Ronaldo não é abatido por essas adversidades, antes o assanham e escalam para memoráveis actuações, onde atesta ser um predestinado para pisar e triunfar naqueles palcos que enlouquecem as gentes de hoje. E, majestático, tem o mundo do futebol a seus pés.
Nasceu com Ronaldo esse seu carácter determinado e ficou bem escrito, em livro de ouro, quando o turbilhão das vidas difíceis o empurrou, criança ainda, da sua Ilha à busca do sol no Sporting. Conquistou o Sporting, conquistou Portugal, conquistou o Mundo e fez-se imperador sem exércitos, sem que setas ou balas furem corpos, porque os seus alvos são as balizas onde é exímio em tremer as redes. E é nas balizas que são definidos os triunfadores nas arenas dos tempos modernos.
Cristiano Augusto, o imperador, não tem na plebe a suas preocupações, pelo que esta crónica e o seu autor estão aqui na terra e ele navega noutra galáxia, mas tal não me inibe de expressar o profundo desejo de que Ronaldo saiba sair, que não se deixe ficar até que tal lhe ofusque o brilho agora cintilante. Bem me lembro do rei Eusébio a arrastar-se em campos menores, todo estropiado, com a indiferença do clube que ele tinha levado ao topo mundial e de que já lá vão mais de 50 anos sem repetição do feito. Foi digna mas tardia a reparação feita a Eusébio, o exemplo de que as glórias têm pés curtos.