Lothar Matthäus
Lothar Matthäus Cronista

Cristiano Ronaldo salvou Portugal

O golo no último suspiro dos irlandeses ante a Itália provocou uma atmosfera de carnaval pela noite dentro em França, depois de o ambiente no país anfitrião ter estado algo contido. Havia tanta alegria em França como nos adeptos irlandeses. Cantaram e beberam, mas não foram violentos. Genial.

Não obstante, esse golo de Robbie Brady, novo herói nacional na Irlanda, foi contra uma Itália que já estava classificada como primeira do grupo e que fez nove alterações na equipa titular. Nem sequer jogou Gianluigi Buffon na baliza. É certo que isso não é proibido, mas também se devia falar de que a competição está ligeiramente adulterada porque os turcos, que tinham pé e meio nos oitavos-de-final depois de vencer por 2-0 a República Checa, tiveram de ir para casa por causa do golo da Irlanda.

Olhando aos oitavos-de-final, o jogo que atrai todos os olhares é o que coloca frente a frente Espanha e Itália, os dois últimos finalistas do Europeu. O encontro dá-se unicamente porque Espanha perdeu por 2-1 com a Croácia nos últimos minutos, depois de se ter adiantado com um golo de Álvaro Morata.

Para mim, no entanto, a vitória da Croácia diante dos campeões em título não é surpresa. Antes do início do torneio já tinha a Croácia entre as minhas favoritas ao título. É uma equipa muito forte.

Assim, quando uma equipa tão potente como a Espanha permite um tropeço, isso pode levar a que vejamos tão cedo, neste caso nos ‘oitavos’, jogos que poderiam ser a final.

Os espanhóis chegam ao duelo como favoritos, em parte graças à forma excecional a que Iniesta está a exibir-se. Espanha continua a jogar à volta da bola e os italianos contra: será um frente a frente com dois estilos de jogar totalmente opostos. Espero que ganhe Espanha, porque assim jogaria nos quartos-de-final contra a Alemanha, caso os de Joachim Löw superem a Eslováquia. Creio que Espanha seria um melhor rival para a Alemanha. A Itália tem um jogo defensivo difícil de decifrar, com uma linha recuada que é praticamente a mesma da Juventus.

No papel, a Alemanha é favorita frente à Eslováquia. Mas neste Euro não há nada garantido. Até ao momento, a Alemanha pareceu explorar terreno e não convenceu apesar de que, lentamente, parece que a equipa se vai encontrando e parecendo com a que foi campeã do Mundo. A paixão e qualidade dos jogadores alemães estão aí.

Os croatas são os que mais me convenceram até ao momento. Foram os únicos que mostraram um bom futebol nos primeiros jogos, contra Turquia e República Checa. E depois venceram a Espanha para se qualificarem para os oitavos-de-final contra Portugal. Com Modric, Perisic, Rakitic e Mandzukic, a Croácia é favorita na eliminatória.

Cristiano Ronaldo salvou a sua equipa na última jornada com um bis no 3-3 frente à Hungria, mas Portugal desiludiu-me até agora. Não acredito que baste esperar que Cristiano dê um golpe de génio, ainda que neste torneio tão louco não se possa prever nada.

A França, por sua parte, sofreu muito nos dois primeiros jogos ante Albânia e Roménia, contra duas equipas que acabaram eliminadas. E diante da Suíça apenas conseguiu um empate porque esta equipa relativamente desajeitada ainda está a tentar aprender a lidar com a pressão de ser o anfitrião.

Os franceses não estão a jogar de forma livre apesar do bom futebol de combinações que mostraram na preparação. O rival nos ‘oitavos’, a Irlanda, é um outsider, por muita euforia que haja nos adeptos.

No duelo entre Hungria e Bélgica haverá uma das equipas mais surpreendentes do torneio contra uma que partia no grupo dos favoritos. É um milagre que a Hungria, seleção que treinei há mais de dez anos, esteja a jogar tão bem. Ninguém contava com a presença nos oitavos-de-final. O plantel juntou-se cinco semanas antes do início do torneio e isso é algo que se nota ao ver os jogos. Mas a Bélgica tem melhores jogadores, como De Bruyne ou Hazard, por muito que até ao momento não tenham brilhado.

Já a Inglaterra tem jogadores rápidos, jovens e cheios de fome, mas carecem de determinação. Contra os islandeses são logicamente os claros favoritos, mas terão de estar atentos à seleção da pequena ilha, pois qualificaram-se para os ‘oitavos’ sem perder um jogo, graças à robustez e fortaleza física.

O Suíça-Polónia parece um duelo muito igual e sem favorito. Ambas as equipas estão muito bem dotadas. Os polacos têm Robert Lewandowski e Arkadiusz Milik, enquanto os suíços ganham por domínio territorial. Contra França, inclusive, tiveram mais posse de bola.

Por último, há um Gales contra Irlanda do Norte, duas seleções que dificilmente acreditavam no seu próprio êxito. Quando se tem um jogador como Gareth Bale, que já marcou três golos na fase de grupos, conta-se sempre com um ponto extra. Neste caso, Gales é ligeiramente favorito. Será um encontro muito físico ao mais puro estilo britânico.

1
Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.