Bruno de Carvalho um dia contou que, desde menino, sonhava vir a ser presidente do Sporting. A paixão pelo clube nunca parou de crescer e lutou e lutou, esperou e esperou, com a maior determinação do mundo, até realizar a sua maior ambição de vida.
Há quatro anos, eleito, sentou-se na cadeira de sonho e a esperança de um mundo novo instalou-se em Alvalade e os adeptos responderam sim.
Corajoso e truculento, o novo presidente foi abrindo esse caminho novo, sobretudo desbravando o percurso emaranhado que levou à negociação que permitiu aliviar a tremenda asfixia da dívida. O leão respirou de alívio e acreditou no futuro, como há muitas épocas não se via por aquelas bandas.
Mas a grande aposta, a que define e garante o sucesso de um clube desportivo, está nas vitórias, nos troféus. E aí Bruno de Carvalho, arrastado pela sua impetuosidade, comunicação errática e decisões precipitadas, falhou e concluiu um mandato desastroso.
Nos primeiros dois anos, afastou três treinadores de gabarito: Jesualdo Ferreira, Leonardo Jardim e Marco Silva. Azar dos Távoras, todos eles com brilhantes sucessos no seguimento das suas carreiras, enquanto o Sporting continuou no definhamento que o carimba há décadas, com a diferença, em relação ao passado, de comunicações divertidas do seu presidente e ainda mais divertidas do seu treinador.
Com o rumo perdido, o Sporting e o seu presidente desembocaram numa encruzilhada que não é a sua nova eleição robusta que vai resolver. Cheira a que está por um fio o desmoronar da era Bruno de Carvalho. O choque com Jorge Jesus, o abandono de Vicente Moura e outros claros sinais têm de obrigar o presidente a pensar, ou a crise vem aí. O tempo está curto, acho.