Rui Vitória é um treinador com os pés bem assentes no chão. Líder isolado à 5ª jornada, o técnico do Benfica sabe que a caminhada é longa e o êxito é fruto de trabalho. De resto, a sua imagem de marca no título da época passada, garantido sem criar enormes expectativas nas hostes encarnadas nem pôr-se em bicos de pés perante os adversários. Como sucede agora, apesar da águia protagonizar um dos melhores arranques das últimas três décadas. Rui Vitória é um pouco como a formiga na história desta e da cigarra, isto é, amealha hoje para colher amanhã. E o amanhã no Benfica é um feito que o clube nunca alcançou: o tetracampeonato.
Frente ao Sp. Braga, o Benfica somou uma importante vitória, não só porque significou a liderança, mas porque foi alcançada perante uma grande equipa, num jogo emotivo que podia perfeitamente acabar com mais golos de um lado e do outro. José Peseiro sabe montar equipas competitivas e com mão de obra à altura irá cumprir o desafio de reduzir a diferença do Sp. Braga para os primeiros.
Como Vitória, Peseiro também tem os pés bem assentes no chão. Quase se pode dizer que o treinador dos minhotos é um caso raro entre a classe em Portugal. Na Luz, foi o primeiro a reconhecer publicamente a legalidade do segundo golo do Benfica, depois de na jornada anterior ter assumido que o penálti que quebrou o Boavista foi "um lance duvidoso". Na derrota ou na vitória, Peseiro não perde a dignidade quando é juiz em causa própria.