Para poder usar esta funcionalidade deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site do Record, efectue o seu registo gratuito.
A guerra civil
Apertem os cintos, os momentos passados, atuais e futuros, de construção do sentimento de pertença e ser adepto soarão demasiado a ‘fake’ e estarão sob sistemática suspeita. Habituem-se! Como diria o doutor António Costa. Não vai ser bonito!
Já não sei bem onde li uma bela síntese sobre o que é ser adepto de futebol, de um clube, dessa confraria de eleitos que é a dos grandes jogadores, seja qual a camisola que envergam. Mas vale a pena pegar nessa síntese, de autoria perdida no tempo histórico. Ser adepto é viver e construir uma história de momentos, partilhada depois com outros, integrados pelo mesmo sistema de crenças e paixões. Como esquecerão os benfiquistas aqueles momentos geniais de Eusébio, em qualquer jogo, os golos frios e rápidos de Nené, o pontapé fenomenal de Vítor Baptista no dérbi em que perdeu o brinco?! Os sportinguistas, os portistas, os amantes de bola em geral, jamais esquecerão os golos desse artista do drible na pequena área que era Manuel Fernandes, a estética felina de Jordão, a arte de Paulo Futre e Chalana, as corridas de Seninho, a intuição elegante e letal de Gomes, os passes milimétricos de Octávio ou o génio de António Oliveira. Todos eles, ídolos de quem gosta do futebol, para lá das cores das camisolas. Mas estas contam, e se contam. Nunca antes, como nos tempos de guerra civil que hoje vivemos.
Últimas Opiniões