Joaquim Jorge

Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Jogos Olímpicos: cerimónia majestosa

A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 foi muito longa ( 4 horas) e extensa , desta vez, não foi num estádio, mas sim no rio Sena ( 6 km) e em diversas zonas de Paris.

Os Jogos Olímpicos são um evento de alcance universal e isso foi conseguido. Teve várias inovações e a França mostrou o seu esplendor com um culminar da cerimónia nunca antes visto.

Uma cerimónia que só se deu por terminada quando chegou ao fim, tendo pelo meio surpresas, singularidade e excentricidade.

Voilà la France, depois de ter uns dias difíceis em que tudo tinha para não dar certo, em recentes eleições, num ambiente tenso e crispado. Em que vem sempre à memória distúrbios, atentados e o movimento dos coletes amarelos.

Começou, logo de manhã com as linhas do TGV incendiadas em França , por actos de vandalismo, assim como, o aeroporto franco-suíço de Basileia-Mulhouse foi evacuado por razões de segurança.

Nem a chuva conseguiu estragar esta cerimónia, que foi bela, espectacular, inclusiva, multicultural e inovadora.

A cena da última ceia é um pequeno pormenor que não agrada a todos. Também podemos dizer que não previram a chuva. Enfim!

A música de Cerrone "Supernature" e a  coreografia de raios laser na Torre Eiffel foi um " must" desta cerimónia.

Um final bem francês, mas no verdadeiro sentido do seu chauvinismo. 

A Torre Eiffel transformada em em palco, o cenário do Trocadero , a homenagem aos grandes astros históricos do desporto. Aqui o futebol é mais uma modalidade, teve a palavra Rafa Nadal, Serena Williams, Carl Lewis e Nadia Comãneci.

Gostei de ver a união dos atletas olímpicos e paralímpicos , o cortejo da tocha olímpica com seu campeão centenário e um caldeirão espectacular, um caldeirão nunca antes visto.

Na parte final uma Céline Dion, um exemplo de querer e tenacidade ao derrotar a sua doença em que encarna da melhor forma o espírito olímpico:  acreditar, tolerar e melhorar.

No fim disto tudo, o que ficará na memória será o barco dos atletas no Sena, o cavaleiro prateado e o balão flamejante . Algumas óptimas imagens de verdadeira estatura olímpica. 

A cerimónia de abertura de Paris 2024 não anulou as suas imperfeições, mas certamente  apagou-as. Houve momentos polémicos, como um grupo de dançarinos e drag queens sentados em poses que recordavam representações da Última Ceia, a última refeição que se diz que Jesus tomou com os seus apóstolos, mas não manchou a beleza, a alegria, emoções ricas e foi um desfile espectacular, para puxar atrás e rever.

O director artístico do espectáculo, Thomas Jolly tinha prometido que a cerimónia iria celebrar a diversidade e a alteridade. Estou de acordo e acrescento elevado requinte e bom gosto.

Thomas Jolly afirmou que a sua intenção não era ser subversivo, gozar ou chocar. A sua mensagem de inclusão, tolerância e não divisão passou. Num Mundo tão dividido e intolerante é importante um acontecimento desta envergadura.

A França é pioneira, um exemplo na liberdade de expressão e nos direitos dos cidadãos.

Gostei da mensagem de amor, inovação, de viver em paz, num Mundo melhor unido em toda a nossa diversidade.

Agora é seguir os jogos na Eurosport que tem imensos canais com diversidade de modalidades e, até um canal 4K.

*escrevo ao abrigo do antigo AO

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